Quem me prende mais do que a terra? Impossível o vôo agora. Quente fremente a intenção de alguém. Desfez-se a palidez perdi meu vôo nas grades de seu peito. Aprísiona-me - grilhão - o seio suave e no calor do instante a união.
Pousa num ramo um sopro de agonia dos que morrem (sem saber) em nosso coração. Suspira a noite no vento vadio. Amados mortos: tentais dizer o quanto amais ainda?
Linha invisível liga-me àquela andorinha: tato percorrendo um trajeto de comunhão. O pássaro debate-se em meu peito. Ou coração? A andorinha se esvai na tarde. Leva consigo o que não sei de mim.
Só um pássaro e seu peso de orvalho tocando o chão como se foram teclas. Passa onde a graça ilumina a cidade de ferro subitamente atenta a essa beleza.
Nos jardins teimam rosas delicadamente. Violetas africanas salpicam de ouro muros escuros e as princesas purpúreas espiam dos balcões verdes nas paredes florescidas: dançam pétalas dança a vida nos jardins contentes não termina a partitura que se repete sempre.
Chamar pássaros com o alpiste de amá-los. Eles pousam nos parapeitos. Nem sombra de medo nessa aproximação. Quase me sinto gêmea do que são parados à beira da janela ou saltando no telhado recém-chegados.
A boneca de feltro parece assustada com o próximo milênio. Quem a aninhará nos braços com seus olhos de medo e retrós?
O signo da boneca é frágil mais frágil que o de pássaro. Confia. Assim passiva o vento brincará contigo franzirá teu avental dirá coisas que entendes desde a aurora das coisas: foste um caroço de manga uma forma de nuvem ou um galho com braços de ameixeira no quintal.
Não temas. Solta o corpo de feltro. Assim. Para ser embalada nos braços da menina que houver.