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domingo, 26 de outubro de 2014

Guerreiro medieval


Em minha primeira reportagem em Galápagos, por exemplo, certo dia acompanhei uma iguana, réptil que a princípio não tem muito a ver com nossa espécie. Mas ao observar uma de suas patas dianteiras, de repente vi a mão de um guerreiro medieval. Suas escamas me fizeram pensar numa cota de malha, sob a qual reconheci dedos parecidos com os meus. Pensei: essa iguana é minha prima. Eu tinha diante dos olhos a prova de que viemos todos da mesma célula, cada espécie tendo evoluído à sua maneira ao longo dos séculos e em conformidade com seu ecossistema.


Sebastião Salgado in Da minha terra à Terra, págs. 103/104

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Bens materiais e vida


Sobre o povo nenetse, nômades criadores de renas, que vivem na Sibéria, perto do círculo polar ártico,  enfrentando temperaturas entre -30º e -40º C.


Os nenetses vivem num clima terrivelmente rigorosos, com o mínimo necessário. Eu, mal acostumado, tinha medo de que me faltasse de tudo ao visitá-los. Chegando lá, descobri que havia levado, para uma única viagem, muito mais coisas do que eles possuíam. Ao fim do dia, depois de percorrer quilômetros em trenó, um nenetse constrói seu "tchum", uma tenda feita de pela de renas. Tudo o que ele possui cabe ali dentro. No dia seguinte, ele a desmonta rapidamente e todos os seus bens voltam para os trenós. Precisam ser leves para não cansar as renas. Esses homens do frio vivem com pouco; mesmo assim, sua vida é tão intensa, tão plena e tão forte em emoções quanto a nossa.  Talvez até mais, pois tanto multiplicamos os bens materiais para tentar nos proteger que acabamos nos esquecendo de viver. Não olhamos mais para a natureza e para os outros, nos separamos de nossa comunidade. Isso me preocupa muito. Fico apreensivo de ver que quase todas as tecnologias, no fim das contas, acabam nos isolando. À medida que as coisas materiais evoluem, podemos cada vez mais fazer coisas sozinhos em nosso canto. A história da humanidade, porém, é a história de nossa comunidade. Nós, pelo contrário, nos dispersamos, nos individualizamos. Ninguém poderá me convencer de que o individualismo, tanto quanto o cinismo, é um valor.


Sebastião Salgado in Da minha terra à Terra, Paralela, 2014, págs. 132/133

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Ser fotógrafo


Quem não gosta de esperar não pode ser fotógrafo. 


Sebastião Salgado

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cinco fotos de Sebastião Salgado - V/V



Serra Pelada - mina de ouro no Pará


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domingo, 19 de agosto de 2012

Cinco fotos de Sebastião Salgado - IV/V




Mulher da etnia Dinka, Kolkuei - Sudão 

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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Cinco fotos de Sebastião Salgado - III/V



Brighton Beach - Little Odessa - Brooklyn

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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Cinco fotos de Sebastião Salgado - II/V



Beach of Vung Tau - Vietnam 

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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Cinco fotos de Sebastião Salgado - I/V


A leveza da estrutura sobre a cidade!

Construção de edifício em Jakarta - Indonésia 

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