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sábado, 22 de outubro de 2011

Sobre os preços dos remédios


Uma nova guerra dos medicamentos?

Por Daniela Frabasile

Marcada em 2011 pela abertura do debate sobre o reconhecimento do Estado Palestino, a Assembleia Geral das Nações Unidas deste ano foi precedida, como de costume, por uma série de encontros menos cercados de glamour e holofotes. Um destes eventos, a reunião de alto nível da ONU sobre doenças crônicas não transmissíveis, apareceu na mídia brasileira apenas devido a um discurso da presidente Dilma Roussef – que defendeu a quebra das patentes farmacêuticas. Apesar de pouco visível, o encontro é parte de um processo de decisões internacionais que pode decidir o futuro de centenas de milhões de pessoas e sacudir uma das indústrias mais ricas e poderosas do mundo: a de medicamentos.

A possível reviravolta está sendo armada há alguns anos. Laboratórios chineses e indianos, que já são responsáveis por boa parte dos remédios consumidos no mundo, deram um passo adiante: estão prestes a dominar os processos tecnológicos que permitem produzir drogas mais sofisticadas. São remédios de última geração e grande potência, fundamentais para tratar doenças como certos tipos de câncer e diabetes. Para disputar o mercado da saúde, os novos produtores anunciam que reduzirão dramaticamente os preços hoje vigentes – o que permitiria que os fármacos chegassem a um público hoje sem acesso a eles. As empresas que dominam a produção mundial (localizadas na América do Norte e Europa) resistem. Sua arma principal não é industrial, mas jurídica. Elas querem evitar que câncer e diabetes sejam tratados pelo direito internacional como epidemias, o que permitiria quebrar patentes e colocaria chineses e indianos em condições de oferecer produtos a governos e consumidores finais em todo o mundo.


(leia o artigo inteiro clicando aqui!)

Meus comentários:

O problema todo está nas pesquisas necessárias para se obter novos remédios. A industria farmacêutica da China e da Índia atua, principalmente, na fabricação de remédios já conhecidos, sem investir os bilhões de dólares necessários à pesquisa de novas substâncias ou novos usos para substâncias conhecidas.

Sem resolver essa questão, a quebra de patentes resultará, num primeiro momento, um barateamento dos medicamentos já conhecidos, mas causará, também, na paralisação das pesquisas de novas substâncias.

Não se deve esquecer que atualmente são investidos bilhões de dólares na pesquisa de remédios para doenças usuais das populações dos países ricos, exatamente em função do retorno financeiro decorrente das patentes, e pouco dinheiro é destinado às doenças da população mais pobre, que não dão retorno suficiente para custear as pesquisas necessárias.

A quebra generalizada das patentes causará uma equalização por baixo, sem o desenvolvimento de novos remédios.

Caso a AIDS tivesse surgido entre a população pobre da China ou da Índia, teríamos desenvolvido o coquetel anti-AIDS? Com certeza que não! “Sorte” que ela iniciou sua propagação pelos países ricos, em sua população mais rica, o que incentivou as pesquisas de medicação com o investimento de maciços recursos econômicos.

José FRID

sexta-feira, 19 de março de 2010

O Rio sem a Copa do Mundo e as Olimpíadas??


Antes era só a praga Maia de 2012 (veja aqui), agora garfaram o dinheiro do Pré-Sal!!!

O Rio tem que se benzer com muita arruda (epa!!!) e sal grosso!!!

José FRID


Atualização em 2014: A Copa saiu e as Olimpíadas estão a caminho.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Relembrando os tempos de inflação desarvorada










































Dia desses encontrei, num monte de gibis que iam para o lixo, uma "lembrança" dos tempos de inflação desarvorada.

Em função da inflação galopante na época, outubro de 1992, a Editora Abril desistiu de colocar preços fixos nas capas das suas revistas, instituindo uma tabela de códigos de preços – no caso da revista em questão ele é "X2" – que corresponderia a um determinado valor em "cruzeiros".

A editora vendeu essa idéia como vantagem para o leitor, "uma garantia para você de que o preço escolhido será o mais junto, diante da inflação que assola o país".

Tempos difíceis aqueles, não?


José FRID

terça-feira, 26 de maio de 2009

Economia em tempos de crise: As voltas que o PIB dá

Um vilarejo, em função da crise econômica, vivia tempos difíceis. Seus habitantes tinham dívidas permanentes.

De repente chega à vila um turista. Entra no único hotel existente, coloca sobre o balcão uma nota de 100 reais e sobe as escadas a fim de escolher um quarto.

O dono do hotel, imediatamente, pega os 100 reais e corre para pagar sua dívida com o açougueiro. O açougueiro, de posse dos 100 reais, corre para pagar o pecuarista, fornecedor de gado. Este pega o dinheiro e corre para pagar a prostituta do local que, por conta da crise, havia trabalhado fiado. A prostituta corre para o hotel e, com os 100 reais, paga o dono pelo quarto que havia alugado fiado a fim de atender seus clientes. Foi uma corrida geral para quitar dívidas.

Contudo, meia hora depois, o turista, após examinar detalhadamente os quartos, desce as escadas, pede de volta os 100 reais, que recém haviam voltado às mãos do dono do hotel, e diz que não gostou de nenhum dos quartos. Deixa o hotel e segue viagem.

Hoje, no vilarejo, todos vivem sem dívidas - otimistas por que a crise terminara.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

As voltas que o mundo dá!

Em 1949, a maioria dos intelectuais acreditava que o comunismo salvaria a China.

Em 1969, esses mesmos intelectuais acreditavam que a China (com sua Revolução Cultural) salvaria o comunismo (o que, após Stalin e a Primavera de Praga, finalmente começou a ser desacreditado).

Em 1979, o primeiro-ministro Deng Xiao Ping percebeu que somente o capitalismo salvaria a China.

Em 2009, o mundo inteiro acredita que somente a China pode salvar o capitalismo!

(Ricardo Noblat)

terça-feira, 17 de março de 2009

A reação da indústria automobilista brasileira à crise: muita propaganda!!

A televisão está lotada de anúncios de automóveis, seja de "feirões de fábrica", seja de lançamentos de novos carros. Até o Schumacher aparece dirigindo. Como a tevê é instantânea, no mar de propagandas das Casas Bahia nem sempre a gente tem noção de quantas marcas de automóveis estão anunciando, se é muito ou pouco. Percebi os anúncios do Tucson, Linea e C4.
A Veja dessa semana despertou minha atenção, pois estava mais "gordinha", sinal de muita propaganda, tendo em vista que a parte editorial normalmente é do mesmo tamanho. Aumento da publicidade pelo fim da crise econômica? Ou por causa do aprofundamento da crise? A resposta com os especialistas.
Entre os muitos anúncios encontrei propagandas dos seguintes veículos: Veracruz (Hyundai) - 2 páginas, C4 (Citroen) - 2 páginas, Magentis (KIA) - 2 páginas, caminhões extrapesados (Wolkswagen) - 2 páginas, Tucson (Hyndai) - 3 páginas, Sandero (Renault) - 3 páginas, Pajero Full (Mitsubishi) - 3 páginas , anúncio institucional da Wolkswagen - 2 páginas,  e Vectra (Chevrolet) - 2 páginas, num total de 21 páginas!

O custo de uma página na Veja é caríssimo, pois ela é a revista de maior tiragem do Brasil - cerca de um milhão e duzentos mil exemplares semanais - e uma das maiores do mundo. Logo, aquelas 21 páginas representam um investimento altíssimo!!

O governo ajudou com a redução do IPI, mas me parece que a indústria também está se ajudando, mais ou menos na linha daquele ditado popular "Deus ajuda a quem se ajuda".
Com a queda da arrecadação de impostos por causa da crise, pode ser que o governo não consiga manter a redução de IPI, tornando mais importante o investimento em publicidade. 
Vamos torcer para dar certo, pois o setor automobilístico tem condições de "puxar" quase toda a indústria, ajudando o país a sair da crise econômica, "marolinha" para um especialista famoso.
 Atualização em 2014, julho:

Voltou a crise na indústria automobilista e tome comerciais na tevê, jornais e revistas!

Feirões de fábrica, Taxa Zero, Preço de nota fiscal de fábrica, etc.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Explicando a fase atual da crise econômica por analogias


No inicio da crise a analogia era a historia do bar, etc. etc. Atualmente a crise financeira está em uma nova etapa: há uma grande crise de confiança, afinal, os governos do mundo todo despejaram rios de dinheiro no mercado, mas mesmo assim a coisa não vai para frente.

A melhor analogia para esta nova etapa da crise financeira é uma casa de swing: - Em uma casa de swing lotada, todo mundo está comendo e/ou dando para todo mundo. A maior festa: música rolando alto, whisky, cervejas, vodkas e viagras a vontade.. Até que determinada pessoa no meio da sacanagem grita bem alto: "EU TENHO AIDS!!!".

Pronto: ninguém sabe se comeu e/ou deu para esta pessoa e mesmo de camisinha quem estava comendo e/ou dando irá parar de comer e/ou dar porque não sabe se a pessoa que está comendo e/ou dando comeu e/ou deu para a pessoa que gritou que tem AIDS.

Todos avaliam o risco e, é certo, apesar que querer muito não vão comer e/ou dar para ninguém por um bom tempo (ao menos até saberem se têm ou não AIDS). Quem acabou de chegar na casa de swing e ia começar a comer e/ou dar feito coelho, também até descobrir que está com AIDS não vai entrar na dança não!

É esta crise de confiança que abalou a casa de swing que atualmente abala o mercado financeiro: - Quem estava investindo não investe mais; e quem pensava em começar a investir não investirá mais. A analogia entre a casa de swing e o mercado financeiro é mesmo a mais adequada, afinal, no frigir dos ovos, é tudo a mesma coisa: uma grande sacanagem!


2016, finalzinho: Continua atual!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Os problemas da globalização: Americanos (e nós também) nas mãos dos chineses!!


Nossos remédios dependem de matérias-primas que estão vindo da China, aquela mesma que recentemente falsificou leite em pó, pintou brinquedos com tintas tóxicas, etc. e tal. É a insegurança globalizada.

Se os chineses quiserem, podem torpedear toda a produção de remédios pelo mundo.

O Obama (e nós) tem (temos) que "dançar miudinho" para não irritar os discípulos de Mao.

Lembra um pouco a estória do "Presidente Negro" de Monteiro Lobato.

Leia o texto abaixo e durma se puder!

José FRID

Fabricação de medicamentos no exterior preocupa os EUA

 Em 2004, quando a companhia Bristol-Myers Squibb anunciou que fecharia sua fábrica em East Syracuse, Nova York - a última fábrica dos Estados Unidos que produzia os ingredientes-chave para antibióticos essenciais como a penicilina -, poucas pessoas se preocuparam com as consequências para a segurança nacional. "O foco na época era principalmente a perda de empregos em Syracuse", disse Rebecca Goldsmith, porta-voz da companhia.


Mas os especialistas e legisladores estão cada vez mais preocupados com o fato de que o país depende demais dos remédios do estrangeiro, e estão pedindo a criação de uma lei para exigir que certos medicamentos sejam produzidos ou estocados nos Estados Unidos.


"A falta de regulamentação quanto ao fornecimento externo é um ponto cego que abre espaço para problemas de fornecimento, medicamentos fraudados e até bioterrorismo", disse o senador Sherrod Brown, democrata de Ohio, que liderou as audiências sobre o assunto.

Décadas atrás, a maioria dos remédios consumidos nos Estados Unidos era fabricada no país. Mas assim como outras fábricas, as de medicamentos também migraram para a Ásia porque o trabalho, a construção, os custos regulatórios e ambientais são mais baratos lá.

Os principais ingredientes da maioria dos antibióticos são feitos quase que exclusivamente na China e na Índia. O mesmo vale para dezenas de outros medicamentos essenciais, incluindo o popular remédio para alergia prednisona; a metaformina, para diabetes; e a amlodipina, para pressão alta.



Das 1.154 indústrias farmacêuticas mencionadas nos registros de medicamentos do Food and Drug Administration [órgão regulador de medicamentos e alimentos dos EUA] em 2007, apenas 13% estavam nos Estados Unidos, enquanto 40% estavam na China, e 39% na Índia.


Alguns desses medicamentos são essenciais para salvar vidas, e o sistema de saúde dos Estados Unidos depende deles. Metade dos americanos toma algum remédio prescrito todos os dias.


A penicilina, composto fundamental para duas classes de antibióticos, conta a história da mudança do setor farmacêutico. A produção em escala industrial da penicilina foi desenvolvida por um grupo de pesquisas militares dos EUA durante a 2ª Guerra Mundial, e quase todos os grandes fabricantes de medicamentos tinham fábricas espalhadas por todo o país.


Mas no começo dos anos 80, o governo chinês investiu grandes somas de dinheiro em fermentadores de penicilina, "desequilibrando os preços em todo o mundo e forçando a maioria dos produtores ocidentais a sair do mercado", disse Enrico Polastro, belga especialista em antibióticos que é consultor do setor farmacêutico.


Um dos motivos que levou essas fábricas a migrarem para o exterior é que o FDA inspeciona as fábricas nacionais muito mais do que as estrangeiras, tornando a produção mais cara nos Estados Unidos.


"As companhias dos EUA são mais regulamentadas e estão sob uma supervisão maior do que os produtores estrangeiros, particularmente os dos países emergentes. E isso é totalmente o contrário do que deveria ser", disse Joe Acker, presidente da Associação dos Produtores de Químicos Orgânicos Sintéticos. "Precisamos de um campo nivelado para jogar".


Depois dos ataques de anthrax em 2001, o governo Bush gastou mais de US$ 50 bilhões para proteger o país do bioterrorismo e de pandemias de gripe; parte desse dinheiro foi destinado a aumentar a capacidade de produção doméstica de vacinas contra a gripe.


Mesmo assim, autoridades disseram que durante uma pandemia os Estados Unidos não poderiam depender das vacinas feitas principalmente na Europa por causa de um possível fechamento das fronteiras e falta de fornecimento. E a situação é similar com antibióticos como a penicilina; os pesquisadores descobriram que durante a pandemia de gripe de 1918, a maioria das vítimas morreu de infecções bacterianas, e não virais.



O Centro de Controle e Prevenção de Doenças tem um estoque de medicamentos com antibióticos suficientes para tratar 40 milhões de pessoas. Se mais do que isso for necessário, entretanto, o país não tem as fábricas para produzir. Levaria anos para desenvolver um fermentador de penicilina a partir do zero, disse Polastro.


O Dr. Yusuf K. Hamied, presidente do Cipla, um dos mais importantes fornecedores de ingredientes farmacêuticos do mundo, disse que sua companhia e outras estão cada vez mais dependentes dos fornecedores chineses. "Se amanhã a China parar de fornecer ingredientes farmacêuticos, a indústria farmacêutica mundial entrará em colapso", disse.


Uma vez que as indústrias farmacêuticas quase sempre vêem suas cadeias de fornecimento como segredos do setor, pode ser difícil ou impossível encontrar a verdadeira fonte dos ingredientes de um medicamento. O FDA tem uma lista pública de fornecedores de medicamentos, chamada de arquivo mestre dos remédios. Mas a lista não está nem atualizada nem é totalmente confiável, porque os fabricantes não são obrigados a abrir informações sobre seus fornecedores.


Uma base de dados federal lista quase 3 mil indústrias farmacêuticas estrangeiras que exportam para os Estados Unidos; outra lista tem 6.800 indústrias. Ninguém sabe se isso está correto.


As marcas de medicamentos normalmente alegam que os remédios são feitos nos Estados Unidos, mas as fábricas listadas são normalmente lugares onde os pós de medicamentos feitos no exterior são transformados em comprimidos e embalados.

"As companhias farmacêuticas não gostam de revelar onde ficam seus fornecedores", por medo de que competidores roubem suas fontes, disse Polastro.


A posição da China enquanto principal fornecedor de medicamentos é o resultado de uma política do governo, disse Guy Villax, diretor executivo da Hovione, fabricante de ingredientes essenciais, com fábricas em Portugal e na China.


O governo de Xangai prometeu pagar à indústria farmacêutica local cerca de US$ 15 mil por qualquer aprovação de medicamentos que conseguirem do FDA e cerca de US$ 5 mil pela aprovação dos órgãos reguladores europeus, de acordo com um documento fornecido por Villax.


"Isso mostra que há um plano do governo da China para se tornar líder da indústria farmacêutica", disse Villax.


A crescente dependência dos fornecedores de medicamentos chineses se tornou aparente no caso da heparina. Há um ano, a Baxter Internacional e a APP Pharmaceuticals dividiam o mercado doméstico de heparina, um anticoagulante necessário nas cirurgias e diálise.


Quando os órgãos reguladores federais descobriram que o produto da Baxter havia sido contaminado por fornecedores chineses, o FDA baniu o produto da Baxter e voltou-se quase que exclusivamente para o produzido pela APP. Mas a APP também recebia seu produto da China.



Então por enquanto, a contragosto dos EUA, a China tem a vantagem no jogo. Como diz Polastro, "se a China em algum momento ficar muito irritada com o presidente Obama, isso pode ser um grande problema".


Tradução: Eloise De Vylder

domingo, 28 de dezembro de 2008

A crise começou em janeiro?

A CRISE ECONÔMICA ESTAVA AÍ EM JANEIRO

Em janeiro, quando o Federal Reserve Board jogou US$ 150 bilhões na economia americana, houve um certo alívio no mundo do papelório. Logo que o pacote foi anunciado, o professor Antonio Delfim Netto informou: "O Fed mentiu o tempo todo de que controlava tudo. O Fed fingiu que estava tudo bem. As agências de risco fajutas também fingiam que estava tudo bem. Os bancos honestíssimos punham todas as porcarias fora dos seus próprios balanços. Viraram alquimistas, transformando cocô em ouro e vendendo-o para otários".
Essa opinião, dada no dia 23 de janeiro, continua atual. A crise vinha sendo anunciada há anos pelo professor Nouriel Roubini, da New York University, e em janeiro, depois do pacote do Fed, ele dizia que "a discussão já não é mais a recessão, mas a sua extensão e profundidade". Ao longo de todo o ano, cada passo dado pelo Fed era visto com ceticismo por Roubini. Ele classificou o grande pacote do secretário Henry Paulson como um "não-evento".
Convencionou-se que a crise estourou em setembro, quando quebrou o banco de investimentos Lehman Brothers. Engano. O que aconteceu em setembro foi o estoque de empulhação. A crise, em sua verdadeira extensão, já estava aí. Uma pessoa podia duvidar de Delfim ou de Roubini, mas que tal a opinião de Alan Greenspan, o ex-presidente do Fed? Em março ele disse: "A atual crise financeira nos Estados Unidos provavelmente será vista em retrospecto como a mais dolorosa depois da Segunda Guerra Mundial". É verdade que ele se protegeu com o "provavelmente", mas quem em março jogou fora a polpa, comeu casca em setembro.

ELIO GASPARI - Folha de São Paulo - 28/12/08

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Como as soluções para crise não são fáceis: Tomada de fábrica por operários vira luta nacional nos EUA

A tomada de uma fábrica por seus trabalhadores demitidos em Chicago se converteu em um símbolo nacional de que o resgate do setor financeiro por Washington não se traduziu em um apoio para as maiorias. Desde o presidente eleito Barack Obama e parlamentares federais e locais até o governador de Illinois já expressaram apoio às demandas dos operários.

Tudo começou quando os 260 operários da fábrica de janelas e portas Republic Windows and Doors foram informados por seus patrões, com apenas três dias de antecedência, do fechamento da indústria, previsto para o fim de semana passado. O fechamento ocorreu depois que o Bank of America suspendeu sua linha de crédito à indústria.

Na sexta-feira, dezenas de trabalhadores tomaram a fábrica e se negaram a deixá-la, pois denunciam que não foram notificados com os 60 dias de antecipação previstos em leu e não lhes pagaram o que deviam.

Em turnos, dezenas de trabalhadores, membros do sindicato nacional independente United Electrical, Radio and Machine Workers of America (UE), um dos mais progressistas e combativos do país, mantiveram guarda dentro da fábrica, enquanto recebiam visitas ilustres, desde o senador Dick Durbin, o segundo em importância na Câmara Alta do parlamento americano, até os representantes federais Luis Gutiérrez e Jan Schakowksy, e o reverendo Jesse Jackson.

A maioria dos trabalhadores são de origem mexicana, junto com um bom número de trabalhadores negros e alguns salvadorenhos e hondurenhos.

No domingo, Obama disse: "creio absolutamente que os trabalhadores, que pedem os benefícios e os salários pelos quais trabalharam, estão corretos, e entendo que o que lhes acontece é um reflexo do que ocorre em toda a economia".

Nesta terça-feira (9), o governador de Illinois, Rod Blagojevich, ordenou que as secretarias estaduais suspendam todos os negócios com o Bank of America até que este reverta sua decisão e abra uma linha de crédito para a empresa Republic. "
Que tome parte do dinheiro federal que recebeu e o invista, para dar crédito necessário para esta empresa, conservando assim os empregos dos trabalhadores", manifestou.

"O Bank of America recebeu recentemente uma injeção de US$ 25 bilhões de fundos públicos e agora é um exemplo de como, enquanto se resgatam os grandes bancos, os trabalhadores são demitidos sem receber seus salários", afirma o sindicato.

O senador Durbin declarou aos meios de comunicação:
"entregamos bilhões a bancos como o Bank of America, e a razão para isso era para que continuassem emprestando esses fundos a empresas como a Republica, para que não fossem perdidos postos de trabalho aqui nos Estados Unidos".

Enquanto os gerentes da empresa não aparecem, o Bank of America reiterou que não é responsável pelas práticas e decisões da Republica. Mas a ira dos trabalhadores se dirige tanto a seus patrões como também - e é aqui onde encontra eco nacional - contra um resgate financeira que só beneficia os executivos bancários e deixa em completo abandono milhões de trabalhadores, que padecem as conseqüências desta crise.

"Se não houver uma solução favorável, estamos dispostos a permanecer aqui pelo tempo que for necessário", comentou Leticia Márquez Prado, uma das trabalhadoras membro do sindicato em entrevista telefônica dada ao correspondente do
La Jornada
. Ela disse que as demandas mínimas eram o pagamento da demissão e das férias, entre outras remunerações que são devidas aos trabalhadores, mas que se desejava buscar uma forma de manter a fábrica em operações, cujo negócio foi impactado de forma severa pela crise econômica, particularmente no setor da construção

"O pior disso é que os trabalhadores estavam recebendo salários dignos, com benefícios de seguro de saúde e outros, e se perdem esses empregos só encontrarão, se encontrarem, empregos de salário mínimo e nenhum benefício", explicou Leticia.

Estava programada uma reunião entre representantes dos trabalhadores, da empresa e do banco para esta noite, a fim de tentar negociar uma solução.

Enquanto isso, o que seria uma notícia local, neste conjuntura se tornou um assunto nacional. Na noite de segunda-feira os telejornais das três principais cadeias de televisão colocaram reportagens sobre a ocupação em suas manchetes principais. Meios de comunicação nacionais eletrônicos e impressos caracterizaram esta ação como algo que se tornou "símbolo" do que estão padecendo os trabalhadores que perderam seus empregos durante esta crise ao longo do país (quase 2 milhões foram demitidos desde dezembro de 2007; mais de meio milhão somente em novembro).

Surpreendidos por todo alcance nacional, um dos trabalhadores, Melvin Maclin, também dirigente do sindicato, declarou à agência de notícias AP que "Nunca esperávamos isso. Ao contrário, achavamos que iriamos para a cadeia".

A ação gerou solidariedade entre vários sindicatos locais e nacionais, organizações civis e comunitárias, que prestaram apoio material e se somaram à campanha dos trabalhadores, que se revezam na ocupação 24 horas por dia.

A polícia não agiu e declarou que não tem nenhuma queixa de "atividade ilegal". "Não vamos nos mover", afirmou Melvin à CBS News. "Já é hora de nós, os pequenos, ficarmos de pé".

Silvia Mazon, outra trabalhadora, comentou no New York Times que "querem que os pobres continuem lá embaixo. Pois aqui estamos e não vamos a nenhum lugar até que nos dêm o que é justo e o que nos pertence". "Estamos fazendo história", disse, em outra entrevista.

Quase ninguém se lembra de quando foi a última vez que os trabalhadores tomaram uma fábrica nete país (talvez tenha ocorrido no fim dos anos 1980, quando mineiros de Virginia tomaram uma usina de processamento durante uma greve) e muitos dizem que o fato lembra cenas dos anos 1930, quando em Chicago e outras grandes cidades a militância sindical industrial sacudiu e transformou este país.

Talvez seja uma fagulha de algo novo (ou o ressucitar de algum mártir de Chicago).

Tradução: Site Vermelho

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A crise das montadoras americanas: salvar agora, mas por quanto tempo?

Companhias como a GM ou a Ford, que chegaram a uma situação de quase falência depois de muitos anos de má conduta, merecem mesmo ajuda do governo?

Por J.R. Guzzo ( Revista EXAME )

Eis aí um bom momento, certamente um dos melhores que já apareceram nestes últimos anos, para debater uma questão que nunca vai realmente embora: o Estado deve ou não botar a mão no bolso para salvar uma empresa privada, ou algumas, que está no centro da economia nacional? "Salvar" não é, talvez, a melhor expressão; mais correto seria dizer "tentar salvar", pois numa epopéia dessas, como de costume, sabe-se em primeiro lugar e com certeza quanto dinheiro o Erário gastará, mas só bem depois vai se verificar se isso de fato serviu para manter as empresas vivas ou se não adiantou nada. As empresas envolvidas são a General Motors e, logo depois dela (ou junto), a Ford e a Chrysler, peças fundamentais no funcionamento de toda a engrenagem industrial dos Estados Unidos. A GM, como se sabe, está em situação de pré-falência. Tem despesas de 11 bilhões de dólares por mês para funcionar no seu dia-a-dia, mas dispõe de menos de 16 bilhões em caixa; pode ficar sem dinheiro para pagar suas contas já neste próximo mês de janeiro. A Ford e a Chrysler se dizem em situação menos letal, mas não muito; e, em todo caso, se a GM rodar, elas rodam junto. Todas as três garantem que precisam do dinheiro do governo com o máximo de urgência.

A perspectiva de falência múltipla de órgãos na indústria automobilística americana é a mais potente das bombas de efeito retardado - e nem tão retardado assim - que a escassez de crédito causada pela crise nos mercados financeiros deixa para estourar no meio da chamada economia real. Para as montadoras, que até o final da semana passada continuavam lutando corpo a corpo em busca de apoio no Congresso americano, não haverá salvação sem dinheiro público; para o governo e os congressistas, a questão toda é um grande divisor. Os adeptos da ajuda argumentam com o efeito radioativo que uma falência da GM, ou, pior que isso, uma falência tripla, teria no conjunto da economia americana e mundial. Aos 100 anos de idade, 77 dos quais como a maior empresa automobilística do mundo em vendas, a GM emprega mais de 260 000 pessoas só nos Estados Unidos, tem fábricas em 35 países e produziu mais de 9 milhões de veículos em 2007. Junto com a Ford e a Chrysler, está no coração da indústria americana: se caírem, as três arrastarão consigo uma quantidade desconhecida de empresas, nos Estados Unidos e pelo mundo afora. Na soma total de suas atividades, a indústria automotiva americana responde por 3 milhões de empregos dentro dos Estados Unidos - e cortes maciços nesse mar de gente podem ter conseqüências sombrias no agravamento da recessão que já existe. "Deixar que o setor quebre é maravilhoso nos manuais de economia", diz o diretor de uma firma americana de investimentos, "mas pode ser um desastre no mundo real."
Os adversários do socorro às montadoras não discutem a dimensão dos números nem os riscos da viagem a território não mapeado que seria deixá-las quebrar. Mas acham que a indústria automobilística americana precisa de uma "recriação" - e não de um cheque.

Se houver uma ajuda do governo, argumentam os defensores dessa idéia, as três empresas e a cadeia de produção a seu redor jamais farão por si próprias as mudanças indispensáveis para a sua sobrevivência; dar dinheiro público a elas, na verdade, seria como garantir a sua morte. Não é nenhum segredo, de fato, que a situação ruinosa das montadoras foi construída muito antes de aparecer a crise financeira. A seca geral no crédito criou o quadro desesperado de hoje, claro, mas a calamidade já estava pronta. Há quatro anos, a GM não tem um tostão de lucro; suas ações, ao longo dos últimos 12 meses, perderam 90% do valor; a empresa paga cada vez mais salários em troca de cada vez menos trabalho, até porque grande parte da folha se destina a remunerar seus 480 000 aposentados. Somadas, as montadoras americanas ficam com menos de 50% das vendas de veículos no mercado interno. Seus carros consomem cada vez mais gasolina e ficam cada vez mais distantes dos competidores em termos de inovação - esforço que, segundo imaginam, é o governo que teria de custear. Seus executivos, há anos, concentram-se mais em atuar junto à bancada automobilística e aos lobbies de Washington do que no trabalho de construir carros. Um deles, o vice-presidente da GM, Bob Lutz, chegou a dizer que modelos flex "não fazem sentido econômico".

É do interesse público que a indústria automotiva americana continue a existir, sem dúvida. Mas com os hábitos, os modelos de gestão e os executivos que tem hoje parece difícil chegar lá.

domingo, 26 de outubro de 2008

"A CRISE "

Um homem vivia à beira de uma estrada e vendia cchorro quente. Ele não tinha rádio, televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia bons cachorros quentes. Ele se preocupava com a divulgação do seu negócio, colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava.
As vendas foram aumentando e, cada vez mais, ele comprava o melhor pão e a melhor salsicha. Foi necessário também adquirir um fogão maior para atender uma grande quantidade de fregueses, e o negócio prosperava .......SEU CACHORRO QUENTE ERA O MELHOR DE TODA REGIÃO !
Vencedor, ele conseguiu pagar uma boa escola ao filho. O menino cresceu, e foi estudar economia numa das melhores faculdades do país. Finalmente, o filho já formado, voltou para casa, notou que o pai continuava com a vidinha de sempre e teve uma séria conversa com ele:
- PAI, ENTÃO VOCÊ NÃO OUVE RADIO? VOCÊ NÃO VÊ TELEVISÃO E NÃO LÊ OS JORNAIS?
HÁ UMA GRANDE CRISE NO MUNDO. A SITUAÇÃO DO NOSSO PAÍS É CRÍTICA. ESTA TUDO RUIM. O BRASIL VAI QUEBRAR.
DEPOIS DE OUVIR AS CONSIDERAÇÕES DO FILHO DOUTOR, O PAI PENSOU: BEM, SE MEU FILHO QUE ESTUDOU ECONOMIA, LÊ JORNAIS, VÊ TELEVISÃO, ACHA ISTO ENTÃO SÓ PODE ESTAR COM A RAZÃO. COM MEDO DA CRISE, O PAI PROCUROU UM FORNECEDOR DE PÃO MAIS BARATO ( E, É CLARO, PIOR ) E COMEÇOU A COMPRAR SALSICHAS MAIS BARATA ( QUE ERA, TAMBÉM, A PIOR ). PARA ECONOMIZAR, PAROU DE FAZER CARTAZES DE PROPAGANDA NA ESTRADA. ABATIDO PELA NOTICIA DA CRISE JÁ NÃO OFERECIA O SEU PRODUTO EM VOZ ALTA.
TOMADAS ESSAS "PROVIDÊNCIAS", AS VENDAS COMEÇARAM A CAIR E FORAM CAINDO, CAINDO E CHEGARAM A NÍVEIS INSUPORTÁVEIS E O NEGÓCIO DE CACHORRO QUENTE DO VELHO, QUE ANTES GERAVA RECURSOS ATÉ PARA FAZER O FILHO ESTUDAR ECONOMIA NA MELHOR ESCOLA, QUEBROU.
O PAI, TRISTE, ENTÃO FALOU PARA O FILHO:
- "VOCÊ ESTAVA CERTO, MEU FILHO, NÓS ESTAMOS NO MEIO DE UMA GRANDE CRISE. "
E COMENTOU COM OS AMIGOS, ORGULHOSO:
- "BENDITA A HORA EM QUE EU FIZ MEU FILHO ESTUDAR ECONOMIA, ELE ME AVISOU DA CRISE ..."
APRENDEMOS UMA GRANDE LIÇÃO : VIVEMOS EM UM MUNDO CONTAMINADO DE MÁS NOTICIAS E SE NÃO TOMARMOS O DEVIDO CUIDADO, ESSAS MÁS NOTICIAS NOS INFLUENCIARÃO A PONTO DE ROUBAR A PROSPERIDADE DE NOSSAS VIDAS.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Capitalista sofre, camaradas

JOÃO PEREIRA COUTINHO (Folha 1/7/08)


Capitalista sofre, camaradas


Gates não precisava doar parte da fortuna para saldar a sua dívida com a humanidade


SEMPRE QUE vejo alguém marchar contra o "capitalismo", pergunto honestamente se os manifestantes conhecem um "capitalista" de verdade.


A pergunta pode parecer ingênua. Não é, leitores. Marx escreveu abundantemente sobre a situação do proletariado no século 19 e, no entanto, o conhecimento real de Marx sobre as classes trabalhadoras era mínimo, para não dizer nulo.


O mesmo no século 21. Os manifestantes marcham contra o "capitalismo" e acreditam na imagem caricatural do capitalista, sentado sobre as costas do trabalhador e bebendo o suor deste com maléfico prazer. Eis o clichê das passeatas primitivas: as massas trabalham; o capitalista vive do trabalho alheio, de preferência brandindo o chicote.


Nada mais longe da verdade. Conheço vários capitalistas com certo grau de intimidade. E em nenhum momento invejo ou critico a vida dessa gente. Acordam a horas impróprias. Deitam-se a horas obscenas. São os primeiros a chegar à empresa e, normalmente, os últimos a partir.


Envelhecem prematuramente. E, envelhecidos, lamentam o tempo que perderam em reuniões inúteis, viagens inúteis e contatos com inúteis. O coração começa a ceder a partir dos 40. O primeiro infarto vem aos 45. A vida familiar é uma piada (de mau gosto).


E a competição própria do "métier" arruína o que existe de mais precioso na vida de um ser humano: a possibilidade de nos entregarmos ao ócio, à criação e ao prazer.


Como diria Albert Cossery, o último dândi, que morreu na semana passada em Paris e que construiu uma obra sublime ao ritmo de uma frase por dia, não existe nada mais triste do que a presença da beleza no mundo e a ausência de olhos para desfrutá-la.


Isso é vida que se inveje? Não creio. Mas é vida que se agradece. Por cada ruga, cabelo branco ou miocárdio pronto a explodir, existe o contributo objetivo do capitalista para a vida anônima de cada um. Não falo da criação de emprego e de riqueza. Falo dos nossos gestos mais ridículos do dia-a-dia: quando ligamos o carro, dispensando o cavalo; quando ligamos a luz, dispensando a vela lamparina; quando ligamos a internet, dispensando o pombo-correio, há sempre a marca de um capitalista por trás, que esteve disposto a bancar uma idéia e a aumentar os nossos confortos.


Por isso, levanto o meu copo no momento da despedida: três décadas depois, Bill Gates abandona a chefia da Microsoft para se dedicar a obras de caridade e à luta contra a malária. O gesto é nobre, sim: quem, em juízo perfeito, trocaria o egoís mo da riqueza pelo altruísmo de partilhá-la?


Mas Gates não precisava doar parte da fortuna aos desvalidos da Terra para saldar a sua dívida com a humanidade. A dívida foi saldada quando Bill Gates fez o que melhor soube: democratizar o computador, transformando irreconhecivelmente a vida de cada um.


Como? Primeiro, ao colocar computadores baratos nas casas do mundo. E, depois, ao fornecer um software simples e de linguagem praticamente universal, que transformou os nossos hábitos de trabalho.


No próximo século, quando se escrever a história deste, Bill Gates será relembrado como um visionário. Alguns críticos não toleram essa visão generosa e acusam Gates de práticas desonestas: o homem era um inimigo da concorrência; o homem não respeitava a propriedade intelectual alheia; o homem roubava idéias dos adversários que depois apresentava como suas.


Entendo os críticos. Mas é difícil acreditar neles. Existe na informática uma fluidez autoral que não é comparável com outras áreas do conhecimento e da criatividade humanas. Quem inventou o "mouse"? Quem inventou a "interface gráfica"?


Existem dezenas de candidatos ao lugar, e é provável que outras centenas, ou milhares, tenham dado o seu contributo numa cadeia interminável. Mas só um ocupa o topo do pódio na capacidade para juntar idéias dispersas e oferecer um sistema operativo comum.


O ódio a Bill Gates se explica com uma palavra bem arcaica e bem humana: inveja. A exata inveja que não tolera a história bem real do Tesouro norte-americano, que uns anos atrás se viu obrigado a alterar os impressos de declaração do imposto de renda porque não havia espaço para os dígitos da fortuna de Gates.


Mas não há que ter inveja, camaradas. Gates é um capitalista. E, como qualquer capitalista, ele merece a nossa pena e a nossa gratidão.