sábado, 22 de outubro de 2011
Sobre os preços dos remédios
sexta-feira, 19 de março de 2010
O Rio sem a Copa do Mundo e as Olimpíadas??
Antes era só a praga Maia de 2012 (veja aqui), agora garfaram o dinheiro do Pré-Sal!!!
O Rio tem que se benzer com muita arruda (epa!!!) e sal grosso!!!
José FRID
Atualização em 2014: A Copa saiu e as Olimpíadas estão a caminho.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Relembrando os tempos de inflação desarvorada
Dia desses encontrei, num monte de gibis que iam para o lixo, uma "lembrança" dos tempos de inflação desarvorada.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Economia em tempos de crise: As voltas que o PIB dá
De repente chega à vila um turista. Entra no único hotel existente, coloca sobre o balcão uma nota de 100 reais e sobe as escadas a fim de escolher um quarto.
O dono do hotel, imediatamente, pega os 100 reais e corre para pagar sua dívida com o açougueiro. O açougueiro, de posse dos 100 reais, corre para pagar o pecuarista, fornecedor de gado. Este pega o dinheiro e corre para pagar a prostituta do local que, por conta da crise, havia trabalhado fiado. A prostituta corre para o hotel e, com os 100 reais, paga o dono pelo quarto que havia alugado fiado a fim de atender seus clientes. Foi uma corrida geral para quitar dívidas.
Contudo, meia hora depois, o turista, após examinar detalhadamente os quartos, desce as escadas, pede de volta os 100 reais, que recém haviam voltado às mãos do dono do hotel, e diz que não gostou de nenhum dos quartos. Deixa o hotel e segue viagem.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
As voltas que o mundo dá!
Em 1949, a maioria dos intelectuais acreditava que o comunismo salvaria a China.
Em 1969, esses mesmos intelectuais acreditavam que a China (com sua Revolução Cultural) salvaria o comunismo (o que, após Stalin e a Primavera de Praga, finalmente começou a ser desacreditado).
Em 1979, o primeiro-ministro Deng Xiao Ping percebeu que somente o capitalismo salvaria a China.
Em 2009, o mundo inteiro acredita que somente a China pode salvar o capitalismo!
(Ricardo Noblat)
terça-feira, 17 de março de 2009
A reação da indústria automobilista brasileira à crise: muita propaganda!!
Voltou a crise na indústria automobilista e tome comerciais na tevê, jornais e revistas!
Feirões de fábrica, Taxa Zero, Preço de nota fiscal de fábrica, etc.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Explicando a fase atual da crise econômica por analogias
No inicio da crise a analogia era a historia do bar, etc. etc. Atualmente a crise financeira está em uma nova etapa: há uma grande crise de confiança, afinal, os governos do mundo todo despejaram rios de dinheiro no mercado, mas mesmo assim a coisa não vai para frente.
A melhor analogia para esta nova etapa da crise financeira é uma casa de swing: - Em uma casa de swing lotada, todo mundo está comendo e/ou dando para todo mundo. A maior festa: música rolando alto, whisky, cervejas, vodkas e viagras a vontade.. Até que determinada pessoa no meio da sacanagem grita bem alto: "EU TENHO AIDS!!!". Pronto: ninguém sabe se comeu e/ou deu para esta pessoa e mesmo de camisinha quem estava comendo e/ou dando irá parar de comer e/ou dar porque não sabe se a pessoa que está comendo e/ou dando comeu e/ou deu para a pessoa que gritou que tem AIDS. Todos avaliam o risco e, é certo, apesar que querer muito não vão comer e/ou dar para ninguém por um bom tempo (ao menos até saberem se têm ou não AIDS). Quem acabou de chegar na casa de swing e ia começar a comer e/ou dar feito coelho, também até descobrir que está com AIDS não vai entrar na dança não! É esta crise de confiança que abalou a casa de swing que atualmente abala o mercado financeiro: - Quem estava investindo não investe mais; e quem pensava em começar a investir não investirá mais. A analogia entre a casa de swing e o mercado financeiro é mesmo a mais adequada, afinal, no frigir dos ovos, é tudo a mesma coisa: uma grande sacanagem! 2016, finalzinho: Continua atual! |
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Os problemas da globalização: Americanos (e nós também) nas mãos dos chineses!!
Nossos remédios dependem de matérias-primas que estão vindo da China, aquela mesma que recentemente falsificou leite em pó, pintou brinquedos com tintas tóxicas, etc. e tal. É a insegurança globalizada.
Se os chineses quiserem, podem torpedear toda a produção de remédios pelo mundo.
O Obama (e nós) tem (temos) que "dançar miudinho" para não irritar os discípulos de Mao.
Lembra um pouco a estória do "Presidente Negro" de Monteiro Lobato.
Leia o texto abaixo e durma se puder!
José FRID
Fabricação de medicamentos no exterior preocupa os EUA
domingo, 28 de dezembro de 2008
A crise começou em janeiro?
Em janeiro, quando o Federal Reserve Board jogou US$ 150 bilhões na economia americana, houve um certo alívio no mundo do papelório. Logo que o pacote foi anunciado, o professor Antonio Delfim Netto informou: "O Fed mentiu o tempo todo de que controlava tudo. O Fed fingiu que estava tudo bem. As agências de risco fajutas também fingiam que estava tudo bem. Os bancos honestíssimos punham todas as porcarias fora dos seus próprios balanços. Viraram alquimistas, transformando cocô em ouro e vendendo-o para otários".
Essa opinião, dada no dia 23 de janeiro, continua atual. A crise vinha sendo anunciada há anos pelo professor Nouriel Roubini, da New York University, e em janeiro, depois do pacote do Fed, ele dizia que "a discussão já não é mais a recessão, mas a sua extensão e profundidade". Ao longo de todo o ano, cada passo dado pelo Fed era visto com ceticismo por Roubini. Ele classificou o grande pacote do secretário Henry Paulson como um "não-evento".
Convencionou-se que a crise estourou em setembro, quando quebrou o banco de investimentos Lehman Brothers. Engano. O que aconteceu em setembro foi o estoque de empulhação. A crise, em sua verdadeira extensão, já estava aí. Uma pessoa podia duvidar de Delfim ou de Roubini, mas que tal a opinião de Alan Greenspan, o ex-presidente do Fed? Em março ele disse: "A atual crise financeira nos Estados Unidos provavelmente será vista em retrospecto como a mais dolorosa depois da Segunda Guerra Mundial". É verdade que ele se protegeu com o "provavelmente", mas quem em março jogou fora a polpa, comeu casca em setembro.
ELIO GASPARI - Folha de São Paulo - 28/12/08
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Como as soluções para crise não são fáceis: Tomada de fábrica por operários vira luta nacional nos EUA
A tomada de uma fábrica por seus trabalhadores demitidos em Chicago se converteu em um símbolo nacional de que o resgate do setor financeiro por Washington não se traduziu em um apoio para as maiorias. Desde o presidente eleito Barack Obama e parlamentares federais e locais até o governador de Illinois já expressaram apoio às demandas dos operários.
David Brooks - La Jornada
Tudo começou quando os 260 operários da fábrica de janelas e portas Republic Windows and Doors foram informados por seus patrões, com apenas três dias de antecedência, do fechamento da indústria, previsto para o fim de semana passado. O fechamento ocorreu depois que o Bank of America suspendeu sua linha de crédito à indústria.
Na sexta-feira, dezenas de trabalhadores tomaram a fábrica e se negaram a deixá-la, pois denunciam que não foram notificados com os 60 dias de antecipação previstos em leu e não lhes pagaram o que deviam.
Em turnos, dezenas de trabalhadores, membros do sindicato nacional independente United Electrical, Radio and Machine Workers of America (UE), um dos mais progressistas e combativos do país, mantiveram guarda dentro da fábrica, enquanto recebiam visitas ilustres, desde o senador Dick Durbin, o segundo em importância na Câmara Alta do parlamento americano, até os representantes federais Luis Gutiérrez e Jan Schakowksy, e o reverendo Jesse Jackson.
A maioria dos trabalhadores são de origem mexicana, junto com um bom número de trabalhadores negros e alguns salvadorenhos e hondurenhos.
No domingo, Obama disse: "creio absolutamente que os trabalhadores, que pedem os benefícios e os salários pelos quais trabalharam, estão corretos, e entendo que o que lhes acontece é um reflexo do que ocorre em toda a economia".
Nesta terça-feira (9), o governador de Illinois, Rod Blagojevich, ordenou que as secretarias estaduais suspendam todos os negócios com o Bank of America até que este reverta sua decisão e abra uma linha de crédito para a empresa Republic. "Que tome parte do dinheiro federal que recebeu e o invista, para dar crédito necessário para esta empresa, conservando assim os empregos dos trabalhadores", manifestou.
"O Bank of America recebeu recentemente uma injeção de US$ 25 bilhões de fundos públicos e agora é um exemplo de como, enquanto se resgatam os grandes bancos, os trabalhadores são demitidos sem receber seus salários", afirma o sindicato.
O senador Durbin declarou aos meios de comunicação: "entregamos bilhões a bancos como o Bank of America, e a razão para isso era para que continuassem emprestando esses fundos a empresas como a Republica, para que não fossem perdidos postos de trabalho aqui nos Estados Unidos".
Enquanto os gerentes da empresa não aparecem, o Bank of America reiterou que não é responsável pelas práticas e decisões da Republica. Mas a ira dos trabalhadores se dirige tanto a seus patrões como também - e é aqui onde encontra eco nacional - contra um resgate financeira que só beneficia os executivos bancários e deixa em completo abandono milhões de trabalhadores, que padecem as conseqüências desta crise.
"Se não houver uma solução favorável, estamos dispostos a permanecer aqui pelo tempo que for necessário", comentou Leticia Márquez Prado, uma das trabalhadoras membro do sindicato em entrevista telefônica dada ao correspondente do La Jornada. Ela disse que as demandas mínimas eram o pagamento da demissão e das férias, entre outras remunerações que são devidas aos trabalhadores, mas que se desejava buscar uma forma de manter a fábrica em operações, cujo negócio foi impactado de forma severa pela crise econômica, particularmente no setor da construção
"O pior disso é que os trabalhadores estavam recebendo salários dignos, com benefícios de seguro de saúde e outros, e se perdem esses empregos só encontrarão, se encontrarem, empregos de salário mínimo e nenhum benefício", explicou Leticia.
Estava programada uma reunião entre representantes dos trabalhadores, da empresa e do banco para esta noite, a fim de tentar negociar uma solução.
Enquanto isso, o que seria uma notícia local, neste conjuntura se tornou um assunto nacional. Na noite de segunda-feira os telejornais das três principais cadeias de televisão colocaram reportagens sobre a ocupação em suas manchetes principais. Meios de comunicação nacionais eletrônicos e impressos caracterizaram esta ação como algo que se tornou "símbolo" do que estão padecendo os trabalhadores que perderam seus empregos durante esta crise ao longo do país (quase 2 milhões foram demitidos desde dezembro de 2007; mais de meio milhão somente em novembro).
Surpreendidos por todo alcance nacional, um dos trabalhadores, Melvin Maclin, também dirigente do sindicato, declarou à agência de notícias AP que "Nunca esperávamos isso. Ao contrário, achavamos que iriamos para a cadeia".
A ação gerou solidariedade entre vários sindicatos locais e nacionais, organizações civis e comunitárias, que prestaram apoio material e se somaram à campanha dos trabalhadores, que se revezam na ocupação 24 horas por dia.
A polícia não agiu e declarou que não tem nenhuma queixa de "atividade ilegal". "Não vamos nos mover", afirmou Melvin à CBS News. "Já é hora de nós, os pequenos, ficarmos de pé".
Silvia Mazon, outra trabalhadora, comentou no New York Times que "querem que os pobres continuem lá embaixo. Pois aqui estamos e não vamos a nenhum lugar até que nos dêm o que é justo e o que nos pertence". "Estamos fazendo história", disse, em outra entrevista.
Quase ninguém se lembra de quando foi a última vez que os trabalhadores tomaram uma fábrica nete país (talvez tenha ocorrido no fim dos anos 1980, quando mineiros de Virginia tomaram uma usina de processamento durante uma greve) e muitos dizem que o fato lembra cenas dos anos 1930, quando em Chicago e outras grandes cidades a militância sindical industrial sacudiu e transformou este país.
Talvez seja uma fagulha de algo novo (ou o ressucitar de algum mártir de Chicago).
Tradução: Site Vermelho
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
A crise das montadoras americanas: salvar agora, mas por quanto tempo?
Companhias como a GM ou a Ford, que chegaram a uma situação de quase falência depois de muitos anos de má conduta, merecem mesmo ajuda do governo?
Por J.R. Guzzo ( Revista EXAME )
Eis aí um bom momento, certamente um dos melhores que já apareceram nestes últimos anos, para debater uma questão que nunca vai realmente embora: o Estado deve ou não botar a mão no bolso para salvar uma empresa privada, ou algumas, que está no centro da economia nacional? "Salvar" não é, talvez, a melhor expressão; mais correto seria dizer "tentar salvar", pois numa epopéia dessas, como de costume, sabe-se em primeiro lugar e com certeza quanto dinheiro o Erário gastará, mas só bem depois vai se verificar se isso de fato serviu para manter as empresas vivas ou se não adiantou nada. As empresas envolvidas são a General Motors e, logo depois dela (ou junto), a Ford e a Chrysler, peças fundamentais no funcionamento de toda a engrenagem industrial dos Estados Unidos. A GM, como se sabe, está em situação de pré-falência. Tem despesas de 11 bilhões de dólares por mês para funcionar no seu dia-a-dia, mas dispõe de menos de 16 bilhões em caixa; pode ficar sem dinheiro para pagar suas contas já neste próximo mês de janeiro. A Ford e a Chrysler se dizem em situação menos letal, mas não muito; e, em todo caso, se a GM rodar, elas rodam junto. Todas as três garantem que precisam do dinheiro do governo com o máximo de urgência.
A perspectiva de falência múltipla de órgãos na indústria automobilística americana é a mais potente das bombas de efeito retardado - e nem tão retardado assim - que a escassez de crédito causada pela crise nos mercados financeiros deixa para estourar no meio da chamada economia real. Para as montadoras, que até o final da semana passada continuavam lutando corpo a corpo em busca de apoio no Congresso americano, não haverá salvação sem dinheiro público; para o governo e os congressistas, a questão toda é um grande divisor. Os adeptos da ajuda argumentam com o efeito radioativo que uma falência da GM, ou, pior que isso, uma falência tripla, teria no conjunto da economia americana e mundial. Aos 100 anos de idade, 77 dos quais como a maior empresa automobilística do mundo em vendas, a GM emprega mais de 260 000 pessoas só nos Estados Unidos, tem fábricas em 35 países e produziu mais de 9 milhões de veículos em 2007. Junto com a Ford e a Chrysler, está no coração da indústria americana: se caírem, as três arrastarão consigo uma quantidade desconhecida de empresas, nos Estados Unidos e pelo mundo afora. Na soma total de suas atividades, a indústria automotiva americana responde por 3 milhões de empregos dentro dos Estados Unidos - e cortes maciços nesse mar de gente podem ter conseqüências sombrias no agravamento da recessão que já existe. "Deixar que o setor quebre é maravilhoso nos manuais de economia", diz o diretor de uma firma americana de investimentos, "mas pode ser um desastre no mundo real." Os adversários do socorro às montadoras não discutem a dimensão dos números nem os riscos da viagem a território não mapeado que seria deixá-las quebrar. Mas acham que a indústria automobilística americana precisa de uma "recriação" - e não de um cheque.
Se houver uma ajuda do governo, argumentam os defensores dessa idéia, as três empresas e a cadeia de produção a seu redor jamais farão por si próprias as mudanças indispensáveis para a sua sobrevivência; dar dinheiro público a elas, na verdade, seria como garantir a sua morte. Não é nenhum segredo, de fato, que a situação ruinosa das montadoras foi construída muito antes de aparecer a crise financeira. A seca geral no crédito criou o quadro desesperado de hoje, claro, mas a calamidade já estava pronta. Há quatro anos, a GM não tem um tostão de lucro; suas ações, ao longo dos últimos 12 meses, perderam 90% do valor; a empresa paga cada vez mais salários em troca de cada vez menos trabalho, até porque grande parte da folha se destina a remunerar seus 480 000 aposentados. Somadas, as montadoras americanas ficam com menos de 50% das vendas de veículos no mercado interno. Seus carros consomem cada vez mais gasolina e ficam cada vez mais distantes dos competidores em termos de inovação - esforço que, segundo imaginam, é o governo que teria de custear. Seus executivos, há anos, concentram-se mais em atuar junto à bancada automobilística e aos lobbies de Washington do que no trabalho de construir carros. Um deles, o vice-presidente da GM, Bob Lutz, chegou a dizer que modelos flex "não fazem sentido econômico".
É do interesse público que a indústria automotiva americana continue a existir, sem dúvida. Mas com os hábitos, os modelos de gestão e os executivos que tem hoje parece difícil chegar lá.
domingo, 26 de outubro de 2008
"A CRISE "
terça-feira, 1 de julho de 2008
Capitalista sofre, camaradas
Capitalista sofre, camaradas
Gates não precisava doar parte da fortuna para saldar a sua dívida com a humanidade
SEMPRE QUE vejo alguém marchar contra o "capitalismo", pergunto honestamente se os manifestantes conhecem um "capitalista" de verdade.
A pergunta pode parecer ingênua. Não é, leitores. Marx escreveu abundantemente sobre a situação do proletariado no século 19 e, no entanto, o conhecimento real de Marx sobre as classes trabalhadoras era mínimo, para não dizer nulo.
O mesmo no século 21. Os manifestantes marcham contra o "capitalismo" e acreditam na imagem caricatural do capitalista, sentado sobre as costas do trabalhador e bebendo o suor deste com maléfico prazer. Eis o clichê das passeatas primitivas: as massas trabalham; o capitalista vive do trabalho alheio, de preferência brandindo o chicote.
Nada mais longe da verdade. Conheço vários capitalistas com certo grau de intimidade. E em nenhum momento invejo ou critico a vida dessa gente. Acordam a horas impróprias. Deitam-se a horas obscenas. São os primeiros a chegar à empresa e, normalmente, os últimos a partir.
Envelhecem prematuramente. E, envelhecidos, lamentam o tempo que perderam em reuniões inúteis, viagens inúteis e contatos com inúteis. O coração começa a ceder a partir dos 40. O primeiro infarto vem aos 45. A vida familiar é uma piada (de mau gosto).
E a competição própria do "métier" arruína o que existe de mais precioso na vida de um ser humano: a possibilidade de nos entregarmos ao ócio, à criação e ao prazer.
Como diria Albert Cossery, o último dândi, que morreu na semana passada em Paris e que construiu uma obra sublime ao ritmo de uma frase por dia, não existe nada mais triste do que a presença da beleza no mundo e a ausência de olhos para desfrutá-la.
Isso é vida que se inveje? Não creio. Mas é vida que se agradece. Por cada ruga, cabelo branco ou miocárdio pronto a explodir, existe o contributo objetivo do capitalista para a vida anônima de cada um. Não falo da criação de emprego e de riqueza. Falo dos nossos gestos mais ridículos do dia-a-dia: quando ligamos o carro, dispensando o cavalo; quando ligamos a luz, dispensando a vela lamparina; quando ligamos a internet, dispensando o pombo-correio, há sempre a marca de um capitalista por trás, que esteve disposto a bancar uma idéia e a aumentar os nossos confortos.
Por isso, levanto o meu copo no momento da despedida: três décadas depois, Bill Gates abandona a chefia da Microsoft para se dedicar a obras de caridade e à luta contra a malária. O gesto é nobre, sim: quem, em juízo perfeito, trocaria o egoís mo da riqueza pelo altruísmo de partilhá-la?
Mas Gates não precisava doar parte da fortuna aos desvalidos da Terra para saldar a sua dívida com a humanidade. A dívida foi saldada quando Bill Gates fez o que melhor soube: democratizar o computador, transformando irreconhecivelmente a vida de cada um.
Como? Primeiro, ao colocar computadores baratos nas casas do mundo. E, depois, ao fornecer um software simples e de linguagem praticamente universal, que transformou os nossos hábitos de trabalho.
No próximo século, quando se escrever a história deste, Bill Gates será relembrado como um visionário. Alguns críticos não toleram essa visão generosa e acusam Gates de práticas desonestas: o homem era um inimigo da concorrência; o homem não respeitava a propriedade intelectual alheia; o homem roubava idéias dos adversários que depois apresentava como suas.
Entendo os críticos. Mas é difícil acreditar neles. Existe na informática uma fluidez autoral que não é comparável com outras áreas do conhecimento e da criatividade humanas. Quem inventou o "mouse"? Quem inventou a "interface gráfica"?
Existem dezenas de candidatos ao lugar, e é provável que outras centenas, ou milhares, tenham dado o seu contributo numa cadeia interminável. Mas só um ocupa o topo do pódio na capacidade para juntar idéias dispersas e oferecer um sistema operativo comum.
O ódio a Bill Gates se explica com uma palavra bem arcaica e bem humana: inveja. A exata inveja que não tolera a história bem real do Tesouro norte-americano, que uns anos atrás se viu obrigado a alterar os impressos de declaração do imposto de renda porque não havia espaço para os dígitos da fortuna de Gates.
Mas não há que ter inveja, camaradas. Gates é um capitalista. E, como qualquer capitalista, ele merece a nossa pena e a nossa gratidão.