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domingo, 7 de agosto de 2022
quinta-feira, 28 de novembro de 2019
No aquário....
E vamos para o aquário, onde uma cunhã me dá a receita imediata do peixe que estou vendo - o Tamoatá - :"pega ele, corta em porções, salga, tempera com todos os temperos, aí põe ele pra pegá um molhozinho, e, quando ele está quase que molha, aí despeja o tucupi".
O peixe detestou ser "receitado" e eu saio lambendo os beiços. Visito a piranha-caju, o acará, o peixe disco - que fotografei-, o pacu branco, o lindo-feio apaiari, o peixe borboleta, o jacundá-pitanga - de cores estranhas e de águas lentas e paradas, onde fica oculto entre as plantas das margens, esperando qualquer ser vivo que passe...Chuóóópt! Ictófago, o bestalhão! Antropophagie.
Roberto Bicelli in Ego trip, Virgiliae, pág.217
segunda-feira, 11 de março de 2019
O guardião
Ele sentiu o cheiro do desconhecido, o cheiro do inimigo atrás da porta, o cheiro da morte. Retesou-se todo, uma descarga elétrica cruzou todo o seu corpo, solicitando nervos, músculos, artérias. O que fazer? Evitar o embate com o desconhecido seria uma boa medida. Se fosse alto, grande, forte, bastava mostrar-se para dissuadir o outro. Infelizmente, sua família era de pequenos e, dentre eles, ele era o menor, quase anão. Melhor seria blefar. Alertou ao outro, em alto e bom som, que ele estava ali, preparado, pronto para se defender, a todos e a casa. O desconhecido não tomou conhecimento do seu alerta e mexeu na porta com o intuito de abri-la. E agora? Só restava-lhe buscar dentro de si forças, surpreender o invasor. Sua família era de baixinhos mas valentões, não levavam desaforos para casa, muitos grandalhões já tinham se arrependido amargamente por enfrentarem alguém da família.
O desconhecido prossegue com a invasão, mas temeroso com quem irá enfrentar. A porta vai sendo aberta lentamente. Os dois adversários enfim se confrontam. Em segundos eles têm que decidir o que farão: avaliam-se, medem suas forças, confrontam músculos, alturas, portes, identificam intenções, traçam estratégias, planejam o ataque, a defesa ou a fuga. Segundos? Milissegundos. Decisões rápidas, instantâneas, o cérebro inundado por adrenalina é o computador mais veloz.
O invasor recua um passo, mas é tarde, pois é atacado. O guardião gostaria de pular na garganta do desconhecido, encerrar com um golpe só a peleja, mas a diferença de alturas o impede. Assim, foca na parte mais vulnerável do adversário e avança com todo o seu peso de quilo e meio no corpo do inimigo, cravando com força seus dentinhos de poodle microtoy na pele áspera do calcanhar do outro. "Maldito cão dos infernos!", grita o pai das crianças.
José FRID
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domingo, 30 de dezembro de 2018
Eu não gosto do cavalo
Eu não gosto do cavalo.
Não gosto? Detesto-o; acho-o o mais intolerável dos quadrúpedes. É um fátuo, é um pérfido, é um animal corruto. Sob pretexto de que os poetas o têm cantado de um modo épico ou de um modo lírico; de que é nobre; amigo do homem; de que vai à guerra; de que conduz moças bonitas; de que puxa coches; sob o pretexto de uma infinidade de complacências que temos para com ele, o cavalo parece esmagar-nos com sua superioridade. Ele olha para nós com desprezo, relincha, prega-nos sustos, faz Hipólito em estilhas. É um elegante perverso, um tratante bem educado; nada mais.
Vejam o burro. Que mansidão! Que filantropia! Esse puxa a carroça que nos traz água, faz andar a nora, e muitas vezes o genro, carrega fruta, carvão e hortaliças, — puxa o bond, coisas todas úteis e necessárias. No meio de tudo isso apanha e não se volta contra quem lhe dá. Dizem que é teimoso. Pode ser; algum defeito é natural que tenha um animal de tantos e tão variados méritos. Mas ser teimoso é algum pecado mortal? Além de teimoso, escoiceia alguma vez; mas o coice, que no cavalo é uma perversidade, no burro é um argumento, ultima ratio.
Machado de Assis in História de 15 dias, 15 de agosto de 1876
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terça-feira, 25 de dezembro de 2018
sábado, 3 de novembro de 2018
sexta-feira, 4 de maio de 2018
quarta-feira, 2 de maio de 2018
segunda-feira, 4 de dezembro de 2017
O homem e o peixe
Manhã, caminho pela praia
ao longe, na contraluz
vejo um homem com uma vareta
Ele toca delicadamente algo na areia
e levanta a cabeça procurando ao redor
Caminho, aproximo, achego-me
Um peixe repousa onde quebra o mar
ele toca com receio o belo bicho
querendo (temendo) despertá-lo
(majestoso, branco, barriga estriada, espinhos por todo corpo)
Perscruto homem e peixe
olhos mortos deste, ansiosos os dele
um vivo, outro morto - até quando?
Peixe e pés suavemente acariciados pelas espumas do mar
O homem, o peixe, o mar - Ele teme a morte!
Ele cutuca o cadáver com sua vara
e olha para mim implorando ajuda
Ignoro, passo por bicho e homem
todos com olhos de peixe morto
José FRID
Praia dos Carneiros, novembro/17
quarta-feira, 6 de janeiro de 2016
sexta-feira, 2 de maio de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
domingo, 27 de abril de 2014
quinta-feira, 24 de abril de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
terça-feira, 15 de abril de 2014
Chove lá fora ....
Chove lá fora
E aqui tá tanto frio
Me dá vontade de saber...
E aqui tá tanto frio
Me dá vontade de saber...
Aonde está você?
Me telefona
Me Chama! Me Chama!
Me Chama!...
Me telefona
Me Chama! Me Chama!
Me Chama!...
(Lobão)
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sexta-feira, 11 de abril de 2014
terça-feira, 8 de abril de 2014
domingo, 6 de abril de 2014
quarta-feira, 2 de abril de 2014
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