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terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Mal acompanhado

Ando de saco cheio

de mim

Tem horas que fica claro como a luz do dia:

Eu, sozinho, comigo mesmo,

já estou bem mal acompanhado.

 

(Jarbas Capusso Filho)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

ENCHENDO OS PULMÕES COM A BRISA DO INFERNO



Anos atrás, quando assistia um filme (Operação França ou Cristiane F.) ou lia algo à respeito da heroína, ficava um tanto assustado. Todos sabemos o quanto essa droga é devastadora. Com poucas doses, um sujeito já fica completamente dependente dela. E por mais uma dose, é capaz de qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo! Tipo vender a mãe... esquartejada. Exagero? Nem um pouco. Mas como ela sempre foi mais consumida na Europa e EUA, esta realidade estava um tanto distante de nós. Mas, aí, os malas, sempre dispostos à abrir novos nichos de consumo de drogas, inventaram o crack. E foi e, está sendo, pior que as sete pragas do Egito. Em poucos anos de consumo, no Brasil, já temos legiões de zumbis-mirins vagando pelas ruas, com seus dedos necrosados e os cérebros completamente destruídos antes de completarem 10 anos de idade. Coisa do tipo meninas de 11, 12 anos pagando um boquete para estranhos nas ruas (coisas que só víamos em filmes com locação no Bronx ou no Harlen) em troca de mais uma pedra, já faz parte do cotidiano de São Paulo, há muitos anos. Já temos, inclusive, a nossa Amsterdã: a cracolândia. Esta semana, liguei para um amigo pra falar de um outro assunto com ele. O diálogo foi este:


- Alô, quem é?!
- Sou eu, o Jarbas.
- (SURPRESO) Jarbas?! Quem falou pra você me ligar?!
- Ninguém. Por quê?
- Porque eu estou com o meu filho aqui no carro. Ele tá querendo se jogar do carro! Fugiu da clinica e quer fumar crack de qualquer jeito. Eu tô desesperado! Não sei o que faço! Foi por deus você me ligou.


O filho desse meu amigo tem 28 anos e já conta com mais de trinta internações por causa do crack. Ele gastou todas as suas economias e se endividou pra tentar ajudar o filho. Conversei bastante e, durante a conversa, podia ouvir os gritos do seu filho, desesperado pela abstinência da droga. Ele tem uns cinqüenta anos, já bem grisalho, um homem formal, quase sisudo. Ele não agüenta e começa a chorar ao telefone. Mal consegue pronunciar as palavras. Sinto o seu desespero, sua tristeza e solidão. Num determinado momento ele diz, com uma voz que parece ter saído das profundezas do inferno:


- Jarbas, tem que ter uma saída! Tem que ter!


Eu, do outro lado tentava, a todo custo, achar alguma coisa pra falar pra esse meu amigo. Algo que aliviasse a sua dor, nem que fosse só por algumas horas, minutos. Mas não achei. Porque não há. É o tipo de dor intransferível. Tatuada. Porque em casos como este, muitas vezes, não há saída. E nunca haverá.


Jarbas Capusso Filhohttp://uivoslatidosefuria.zip.net/

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Você vai morrer




Você vai morrer
Isto é fato
Só resta saber se
Na guilhotina
De anfetamina
Ou de
gaiato!


(Dany Boy, Marcelo Montenegro, Paulo de Tharso e Jarbas Capusso Filho, numa madruga, em 2005, no Régis Bar)

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Antes do tiro



Antes do tiro
Ainda liguei
Sua voz
Persuasiva
Sexy & cínica
S u s s u r r o u
Atira amor


Jarbas Capusso Filho

domingo, 11 de novembro de 2007

INSENSATEZ

SHORT CURTS


INSENSATEZ


Na calçada da rua Pamplona quase esquina da paulista, um morador de rua, coberto de fuligem, desses que perderam qualquer contato com o sistema, está deitado, atravessado na calçada, de uma maneira que as pessoas têm de desviar dele. Sorridente, com a mão direita por dentro da calça, ele coça o saco, na maior. Um pouco mais acima, uma bandinha, dessas que ficam o dia todo em liquidações de lojas, vem descendo, em direção do tal mendigo. Um senhor alto e grisalho puxa os acordes de Insensatez no trombone.


Jarbas Capusso Filho

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

ADMINISTRAÇÃO MODERNA

Demonstração prática da regra de administração moderna muito usada nas empresas brasileiras: Manda quem pode, obedece quem tem juízo!

"Noutro dia, parado num ponto de ônibus, ouvi o seguinte diálogo:

Cara 1 – (Num tom grave) O material veio todo errado, mano!

Cara 2 – E daí...?

Cara 1 – Como e daí?! As peças estão TODAS erradas.

Cara 2 – Mas o meu chefe falou que era isso aí, pô!

Cara 1 – Meu, você não tá entendendo: com essas peças aí não vai dar pra terminar o trampo. Tá TUDO errado!

Cara 1 – (Longa pausa) E o que eu vou fazer? Meu... eu não posso contrariar o meu chefe...!"


Jarbas Capusso Filho