Mostrando postagens com marcador Evolução. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Evolução. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de outubro de 2011

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Darwin, 200

Entre os pensadores mais influentes dos séculos 19 e 20, só Charles Darwin sobreviveu incólume ao teste do tempo. Os 200 anos de seu nascimento, comemorados nesta semana, encontram sua reputação em excelente forma. Com efeito, nunca foi tão válida a afirmação do grande evolucionista Theodosius Dobzhansky (1900-1975): "Nada em biologia faz sentido a não ser sob a luz da evolução".

A teoria darwiniana sofreu aperfeiçoamentos, mas seu cerne, a seleção natural, permanece intacto. O mecanismo foi exposto em obra clássica, "Origem das Espécies", que também faz aniversário (150 anos): a diversidade observável nos organismos é fruto da acumulação de incontáveis e discretas características hereditárias que tenham contribuído para a sobrevivência e a reprodução de seus portadores.

Outro pilar da teoria darwiniana: os milhões de espécies de plantas, animais e micro-organismos que vivem e já viveram sobre a Terra descendem todos de um ancestral comum, que surgiu há mais de 3 bilhões de anos. Durante um século e meio reuniram-se inúmeras comprovações empíricas desses princípios. A universalidade do DNA, a substância presente no núcleo das células portadora de hereditariedade, é só uma delas.

É uma ideia poderosa, em sua simplicidade. Os organismos não são como são em obediência a um desígnio superior. Ao contrário, sua diversificação resulta do entrechoque de eventos inteiramente naturais -sobretudo mutações genéticas e modificações no ambiente- ao longo de um tempo muito profundo.

Compreende-se que esse modo de encarar a biosfera torne problemáticas outras explicações para a miríade de formas que povoam o mundo, como as inspiradas na literalidade de textos religiosos. Apesar disso, é possível conciliar o mecanismo da seleção natural com a noção de um Deus que o tenha criado.

O próprio Darwin, ateu ou agnóstico, jamais fez de sua teoria uma arma antirreligião. Essa é a caricatura que dele se construiu nos últimos 150 anos. Deixar-se arrastar por ela não faz jus à grandiosidade de sua visão da vida, que está na raiz do enorme avanço da biologia nas últimas décadas e que tanto fez para dissipar ilusões sobre o lugar da espécie humana no universo.

(editorial Folha de São Paulo, 10/02/09)

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Lembra-te de Darwin

Deu na Veja
É inaceitável dar criacionismo em aula de biologia. Embrutece porque ensina o aluno, desde cedo, a confundir crença e superstição com razão e ciência.

De André Petry:

É assustador que, às vésperas do bicentenário do nascimento de Charles Darwin, pai da teoria da evolução, escolas brasileiras estejam ensinando criacionismo nas aulas de ciências. Já se sabia que as escolas adventistas fazem isso. A novidade é que o negócio está se propagando. Em instituições tradicionais de São Paulo, como o Mackenzie, inventou-se até um método próprio para o ensino. "Antes, usávamos o material que havia disponível no mercado", explica um dos diretores da escola, Francisco Solano Portela Neto.

O criacionismo é ensinado como ciência da pré-escola à 4ª série.

Não há problema em que o criacionismo seja dado nas aulas de religião, mas ensiná-lo em aulas de ciências é deseducador. Criacionismo é a explicação bíblica para a origem da vida. Diz que Deus criou tudo: o homem, a mulher, os animais, as plantas, há 6 000 anos. Quem estuda religião precisa saber disso. É uma fábula encantadora, mas não é ciência.

É inaceitável que o criacionismo seja ensinado em biologia para explicar a origem das espécies. Em biologia, vale o evolucionismo de Darwin, segundo o qual todos viemos de um ancestral comum, há bilhões de anos, e chegamos até aqui porque passamos no teste da seleção natural. É a melhor (e por acaso a mais bela) explicação que a ciência encontrou sobre a aventura humana na Terra.

Quem contrabandeia o criacionismo para as aulas de biologia diz que, em respeito à "liberdade de pensamento", está "mostrando os dois lados" aos alunos. Afinal, são escolas religiosas, confessionais, e os pais podem ter escolhido matricular seus filhos ali exatamente porque o criacionismo é visto como ciência. Pode ser, errar é livre, mas que embrutece não há dúvida.

Embrutece porque ensina o aluno, desde cedo, a confundir crença e superstição com razão e ciência. É desnecessário. Que cientistas saem de escolas que embrulham o racional com o místico? Também é cascata, porque, fosse verdade, a turma estaria ensinando numerologia em matemática. Ensinaria alquimia em química, dizendo, em nome da "liberdade de pensamento", que é possível transformar zinco em ouro e encontrar o elixir da longa vida...

Há pouco, na Inglaterra, um reverendo anglicano defendeu o estudo do criacionismo na educação básica. Era diretor de educação da Royal Society. Queria colocar Deus no laboratório da escola. Cortaram-lhe o pescoço. A Suprema Corte americana já examinou o assunto. Mandou o criacionismo de volta às aulas de religião. No Brasil, terra do paradoxo, o atraso avança.

Darwin foi um gênio. Em seu tempo, não se sabia como as características hereditárias eram transmitidas de pai para filho. Nem que a Terra tem 4,5 bilhões de anos e que os continentes flutuam sobre o magma. No entanto, a teoria da evolução se encaixa à perfeição nas descobertas da genética, da datação radioativa, da geologia moderna. Só um cérebro poderosamente equipado, conjugado com muito estudo, pode ir tão longe. Confundido com criacionismo, Darwin parece um macaco tolo. É assustador.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Darwin em ação: Pimenta arde para evitar ataque de fungo



Pimenta arde para evitar ataque de fungo

Concentração de moléculas irritantes nos frutos varia com grau de incidência do micróbio, diz estudo

Amit Dave - 25.fev.04/Reuters

Lavrador colhe chilis na Índia, país exportador dessa pimenta

RICARDO BONALUME NETO (Folha de São Paulo)

Quanto mais quente, melhor - especialmente quando se trata de pimenta e quando a pimenteira tenta sobreviver a micróbios que afetam sua capacidade de reprodução.


Uma elegante pesquisa de cientistas bolivianos e americanos mostrou que uma mesma espécie do gênero de plantas do qual fazem parte a pimenta chili e a popular malagueta brasileira varia o ardor do seu fruto de acordo com a ameaça, maior ou menor, de um fungo causador de doença.


Os fãs de condimentos "quentes" devem, portanto, agradecer ao fungo Fusarium semitectum por forçar as plantas a produzirem frutos cada vez mais ardidos.

Trata-se da primeira demonstração prática, em campo, de um aspecto importante da "guerra química" entre uma planta e um micróbio: que a defesa bioquímica varia com a intensidade da ameaça.

As mesmas substâncias que dão o ardido à pimenta impedem o fungo de causar estragos maiores. Quanto mais presentes as moléculas do ardor, as chamadas capsaicinas, mais forte é a proteção.

As propriedades antimicrobianas das pimentas ajudam a explicar o porquê de um em cada quatro seres humanos consumir o produto a cada dia.

O estudo foi feito por sete pesquisadores dos dois países, liderados por Joshua Tewksbury, da Universidade de Washington em Seattle, oeste dos Estados Unidos. Ele está publicado na edição de hoje da revista científica "PNAS".

O estudo da equipe de Tewksbury foi feito com a pimenta chili da espécie Capsicum chacoense, comum na região do Chaco, entre Bolívia, Paraguai e Argentina.

Paradoxo


Em geral, não é uma boa idéia para uma planta ter frutos muito ardidos ou amargos. A função principal de uma fruta, dizem os autores do estudo logo na sua primeira frase, é atrair animais para dispersar sementes viáveis através das suas fezes. É um caso de amor ou rejeição à primeira mordida.


Outros consumidores são menos desejados: insetos que atacam os frutos e micróbios que destroem as sementes em vez de dispersá-las. No caso da pimenta estudada, o buraco feito pelo inseto era o canal perfeito para a invasão do fungo.

A planta tenta se defender dessas pragas microscópicas produzindo substâncias tóxicas. Mas não pode exagerar na dose, senão os animais dispersores passam a evitar frutos ardidos demais. É um autêntico "come-lá-dá-cá".

Foram estudadas sete populações da pimenteira, distribuídas em 1.600 km2 de território boliviano, e notou-se que, quanto maior o risco de ataque por inseto ou por fungo em uma região, maior a quantidade das capsaicinas.
COMENTÁRIO DO FRID:


A NATUREZA É BELA E SÁBIA!!

terça-feira, 1 de julho de 2008

A Evolução Natural aos 150 e seu avô que era macaco

"No dia 1º de julho de 1858, cientistas de todo o mundo já sabiam que a Evolução Natural havia ocorrido. A prova estava em fósseis de seres extintos e alguns evidentes ancestrais de seres ainda vivos. O que ninguém sabia era como acontecera.

Pois foi que, naquele 1º de julho – há 150 anos, hoje – emissários dos naturalistas Charles Darwin e Alfred Russel Wallace leram perante uma seleta de notáveis uma detalhada descrição do processo da Seleção Natural das Espécies. Ambos haviam chegado à mesma conclusão independentemente. Naquele dia, Wallace estava na Malásia e Darwin no interior da Inglaterra.

O velho Darwin já tinha chegado à conclusão de que havia um processo de Seleção Natural após sua extensa viagem ao redor do mundo. Isso fazia 20 anos. Mas guardara as conclusões para si. Wallace, por sua vez, era jovem e teve o insight revolucionário durante um longo período de febres causadas pela malária. Quando o jovem enviou um paper rápido para o mestre avaliar se achava que valia d'algo, o velho tomou um susto. Tirou das gavetas seu extenso trabalho e convocou de presto a reunião.

Não o fizesse, outro levaria a fama da descoberta.

O público que ouviu as idéias de Darwin e Wallace no salão principal da Linnaean Society de Londres, há século e meio, não era composto de cientistas. Apenas por gentlemen curiosos. Foram horas de leitura de muitos artigos, lá no meio as 18 páginas sobre a evolução. Saíram todos atordoados sem terem entendido muito do todo. Ao fim do ano, quando o presidente da Sociedade, Thomas Bell, redigiu seu relatório, tratou de explicar que aquele ano de 1858 'não fora marcado por nenhuma dessas descobertas impressionantes que revolucionam a ciência'.

Pois é.

Mas vivemos todos num mundo darwinista."

Pedro Doria - http://pedrodoria.com.br/

sábado, 15 de março de 2008

A TERRA É PLANA? TEM GENTE QUE ACHA!


TENTE UM CONTATO IMEDIATO COM A VERDADE


Por Richard Dawkins


O Mundo Assombrado Pelos Demônios - A Ciência Vista Como Uma Vela No Escuro, de Carl Sagan

Enquanto eu fecho este livro eloqüente e fascinante, eu recordo o título do capítulo final de um dos primeiros trabalhos de Carl Sagan, Cosmos. "Quem Fala Pela Terra?" é a pergunta retórica, mas eu presumo respondê-la. Meu candidato para embaixador planetário não pode ser ninguém mais que o próprio Carl Sagan. Ele é sábio, humano, polimático, engenhoso, versado, e incapaz de compor uma frase enfadonha.

Eu confesso o hábito, quando lendo livros, de sublinhar sentenças ocasionais que eu gosto particularmente: esse trabalho me forçou a desistir, simplesmente pra economizar tinta. Mas como posso eu não citar a resposta de Sagan para a pergunta por que ele se preocupa em trabalhar explicando a ciência? "Não explicar a ciência me parece perverso. Quando você está apaixonado, você quer contar isso para o mundo. Este livro é uma afirmação pessoal, refletindo meu perpétuo romance com a ciência."

Alegre e exaltante através de muito do livro, ele contudo termina em um presságio. Ciência - não os fatos da ciência mas o método científico de pensamento crítico - "pode ser tudo o que se interpõe entre nós e a escuridão circundante". Essa é a escuridão das caçadas às bruxas medievais e modernas, do temor de demônios e OVNIs não existentes, da credulidade da humanidade na face dos gurus obscurantistas de meta-bobagens pós-modernas.

A verdade têm seus inimigos, como Sagan documenta. Mas, talvez porque ele não vive na Inglaterra, ele deixa passar um problema separado encarado pela ciência em nossa cultura: um duplo padrão filistino. Quando o Daily Telegraph reportou uma pesquisa descobrindo que uma alta porcentagem de adultos pensam que o Sol gira em torno da Terra, o então Editor publicou "e não o faz? Ed." Se uma pesquisa decobre que 50 por cento dos adultos acreditam que Shakespeare escreveu O Iliade, que Editor iria achar divertido publicar um patético "E ele não o fez? Ed."? Esse é o duplo padrão.

Quando os agressivos hábitos dos rottweilers estavam sendo excitadamente promovidos pela mídia de notícias um tempo atrás, a ministra responsável do governo foi no rádio para revelar a perturbadora extensão do problema. Cães, ela explicou pacientemente, não possuem DNA. Ignorância em tal escala não seria reprovável em uma ministra da Coroa, fosse o assunto qualquer coisa senão ciência.

Entre os presentes que a ciência têm para oferecer está, nas palavras de Sagan, um kit de detecção de falácias. Assim é como se testa as credenciais dos superhumanos extraterrestres que vêm em multidões à Terra abduzir humanos para experimentos sexuais (para um considerável lucro das vítimas quando elas vendem suas estórias para a imprensa): "Ocasionalmente, eu recebo uma carta de alguém que está em "contato" com extraterrestres. Eu sou convidado a "perguntar" a eles "qualquer coisa". E então durante os anos eu preparei uma pequena lista de perguntas. Os extraterrestres são muito avançados, lembre-se. Então eu pergunto coisas como, "Por favor forneça uma pequena prova do Último Teorema de Fermat (Nota 1)"... Eu nunca recebo uma resposta. Por outro lado, se eu pergunto algo como "Nós devemos ser bons?" eu quase sempre recebo uma resposta. Qualquer coisa vaga, especialmente envolvendo julgamentos morais convencionais, esses aliens são extremamente felizes em responder. Mas sobre qualquer coisa específica, onde há a chance de descobrir se eles realmente sabem alguma coisa além do que a maioria dos humanos sabe, há apenas silêncio."

Os cientistas são algumas vezes suspeitos de arrogância. Sagan elogia em contraste a humildade da Igreja Católica Romana que, no começo de 1992, estava pronta para garantir o perdão a Galileu e admitir publicamente que a Terra realmente gira em torno do Sol. Nós devemos torcer que essa declaração magnânima não cause nenhuma ofensa ou "machuque" a "suprema autoridade religiosa da Arábia Saudita, Sheik Abdel-Aziz Ibn Baaz" que, de acordo com Sagan, em 1993 "emitiu um édito, ou fatwa, declarando que a terra é achatada. Qualquer um da persuasão redonda não acredita em Deus e deve ser punido." Arrogância? Os cientistas são amadores em arrogância.

Além disso, eles possuem um mínimo para serem arrogantes: Os cientistas "podem rotineiramente predizer um eclipse solar, desde um minuto, até um milênio adiante. Você pode ir ao curandeiro para fazer um feitiço que causa a sua anemia perniciosa, ou você pode tomar Vitamina B12. Se você quiser salvar o seu filho da pólio, você pode rezar ou você pode vacinar. Se você está interessado em saber o sexo do seu filho que ainda não nasceu, você pode consultar "plumb-bob balançantes" o quanto quiser ... mas eles estarão certos, na média, apenas uma vez em duas. Se você quer precisão real ... tente amniocenteses e sonogramas. Tente a ciência."

Eu queria que eu tivesse escrito O Mundo Assombrado pelos Demônios. Tendo falhado em fazê-lo, o mínimo que eu posso fazer é empurrar ele para os meus amigos. Por favor, leia esse livro.

Notas: O último teorema de Fermat já foi resolvido. E foi por humanos.