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sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Invenção na escrita.....

invente a partir do que você sabe.

Você joga tudo fora e inventa a partir do que você conhece. Eu deveria ter dito isso antes. Isso é tudo que há para escrever. 

Ernest Hemingway in  arte do conto 


sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Num país estranho....

- Então vamos. Vamos. Agora.
- Me beije mais uma vez.
No escuro ele entrou no país estranho, e como era estranho, de entrada difícil, de repente perigosamente difícil, depois às cegas, mas feliz, instalou-se satisfeito; liberto de todas as dúvidas, todos os perigos e todos os receios, soltou-se, agarrou-se, agarrou-se mais forte, afrouxou para agarrar de novo, absorvendo todo o antes e todo o porvir, chegando ao começo da felicidade iluminada no escuro, mais perto, mais perto, cada vez mais perto, até ultrapassar toda a esperança, mais longe, mais longe, mais alto e mais alto até chegar repentinamente à felicidade escaldante.
- Oh, querida! - exclamou ele. - Oh, querida!
- Estou aqui.

Ernest Hemingway in Contos de Ernest Hemingway, vol.3, Bertrand Brasil, 2001

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Mulheres feias.....


Eu já estava arrependido de ter entrado no Chicote. Se tivesse continuado o meu caminho já estaria no hotel vestido com roupa enxuta e tomando um drinque no conforto da cama com os pés para cima. Mas estava ali, já farto de olhar aquelas duas caras jovens. A vida é curta e as mulheres feias são muito compridas; sentado naquela mesa concluí que apesar de ser escritor e portanto ter uma curiosidade insaciável por gente de toda espécie, não estava nem um pouco interessado em saber se os dois ali eram casados, ou o que achavam um do outro, ou quais eram suas ideologias, ou se ele tinha algum dinheiro, ou se ela tinha algum dinheiro, ou qualquer coisa a respeito deles.


Ernest Hemingway in Contos de Ernest Hemingway, vol.3, Bertrand Brasil, 2001, pág.83 

terça-feira, 26 de setembro de 2017

A inimiga do homem

"Uma garrafa de champanhe pela metade é inimiga do homem".  

Ernest Hemingway by Lillian Ross, The New Yorker, 1950


terça-feira, 15 de novembro de 2016

De bebê...

Vende-se: sapatinhos de bebê nunca usados.

Ernest Hemingway


Seleção de Carlos Willian Leite in Revista Bula

sexta-feira, 12 de junho de 2015

O lutador


Hemingway pode sentir em sua cova
cada vez que os touros correm através das
ruas de
Pamplona

ele se senta
o esqueleto se agita

a caveira quer um trago

as órbitas buscam a luz solar.

os touros jovens são magníficos,
Ernest

e você também
foi

não importa
o que eles digam

agora






Charles Bukowski in Miscelânea Septuagenária, L&PM. 2014, tradução de Pedro Gonzaga, p.225

segunda-feira, 30 de março de 2015

Ser um bom escritor

Todos os bons livros assemelham-se no fato de serem mais verdadeiros do que se tivessem acontecido realmente, e que, terminada a leitura de um deles, sentimos que tudo aquilo nos aconteceu mesmo, que agora nos pertencem o bem e o mal, o êxtase, o remorso e a mágoa, as pessoas e os lugares e o tempo que fez. Se conseguires dar essa sensação às pessoas, então és um bom escritor.


Ernest Hemingway in Escrito de um Velho Jornalista. 1934.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Sherwood Anderson x Hemingway por Bukowski




Ao escrever, você deve deslizar. As palavras podem ser distorcidas e instáveis, mas se deslizam, há um certo deleite que ilumina tudo. O escrever cuidadoso é mortal. Acho que Sherwood Anderson foi um dos que melhor brincaram com as palavras, como se fossem pedras, ou pedaços de comida para serem comidos. PINTAVA as palavras no papel. E elas eram tão simples que você sentia fachos de luz, portas abrindo, paredes brilhando. Você via tapetes, sapatos e dedos. Ele tinha as palavras. Maravilhoso. Mas, também eram como balas de revólver. Te atingiam direto. Sherwood sabia alguma coisa, tinha o instinto. Hemingway tentava demais. Você sentia o trabalho duro em seus livros. Eram blocos rígidos, colados. E Anderson podia rir enquanto te contava algo sério. Hemingway nunca conseguiu rir. Quem escreve de pé às seis da manhã não tem senso de humor. Quer derrotar alguma coisa.


Charles Bukowski in O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio, LP&M Pocket, 2006, pág. 83

domingo, 27 de janeiro de 2013

Literatura realista

 
"Penso que os limites da literatura realista são os da realidade, que não tem limites. Que à realidade pertencem a ação humana e também os sonhos humanos. Os pesadelos de Kafka, as trabalhadas ficções psicológicas de Proust ou Dostoiewski, a impecável objetividade de Hemingway, a mítica de Carpentier, as fantasmagorias alucinantes de um Cortázar... expressam zonas diferentes, níveis distintos de uma só realidade."


Mario Vargas Llosa, citado por Flávio Moreira da Costa in "Os  Subúrbios da Criação", Livraria e Editora Polis Ltda. – São Paulo/SP – 1979, p.37

segunda-feira, 23 de março de 2009

Como Hemingway trabalhava

Como Ernest Hemingway trabalhava em sua casa em Cuba, perto de Havana, onde escreveu a maioria dos seus livros.

Leia mais aqui.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Dos bons livros (e escritores)

"Todos os bons livros assemelham-se no facto de serem mais verdadeiros do que se tivessem acontecido realmente, e que, terminada a leitura de um deles, sentimos que tudo aquilo nos aconteceu mesmo, que agora nos pertencem o bem e o mal, o êxtase, o remorso e a mágoa, as pessoas e os lugares e o tempo que fez. Se conseguires dar essa sensação às pessoas, então és um bom escritor."

Hemingway, em português de Portugal, no Transcendentalismo