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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Presente de aniversário pra você!


Hoje, primeiro de dezembro, é o dia da coroação de Dom Pedro I como imperador do Brasil, Dia Mundial de Combate à Aids, além de ser o dia do meu aniversário! (E do Tuffi Jr. também)

Eu fico um pouco reflexivo nesta época e três músicas muito conhecidas ocuparam minha mente por esses dias, quase uma trilha sonora da minha vida. Três grandes compositores-cantores: Raul Seixas (muitas saudades), Chico Buarque (recentemente equivocou-se politicamente, mas está perdoado pelo seu novo belo livro premiado) e Jorge Ben (vigoroso, sempre atual cantando as mesmas coisas).

Nasci há algum tempo, não muito, mas o suficiente para ver as coisas se repetirem, quase sempre como farsa. Para não acreditar muito em promessas e não ter falsas esperanças (sendo sincero, de vez enquanto fecho os olhos e embarco em canoas furadas, furadíssimas! Mas também eu não tenho dez mil anos!!).

Aprendi algumas coisas, mas, na verdade, considero-me um estagiário na vida: tanta coisa ainda para aprender, para ver, para fazer!!! Totalmente aberto a novas experiências, mas sem renegar o passado: as poucas rugas (ainda bem!) não deixam, elas gritam: você não nasceu ontem!

Tenho uma certeza: não tem nada nesse mundo que eu saiba demais!!!!

O anjo safado, o chato de um querubim, de vez enquanto atrapalha, deixa-me perdido, entorta minha estrada, mas com as armas de Jorge (Salve Jorge!) vou até o fim!!!

Segue o presente: as três composições! Escute no Youtube!


José FRID


Eu Nasci Há Dez Mil Anos Atrás - Raul Seixas



-"Um dia, numa rua da cidade
Eu vi um velhinho
Sentado na calçada
Com uma cuia de esmola
E uma viola na mão
O povo parou prá ouvir
Ele agradeceu as moedas
E cantou essa música
Que contava uma história
Que era mais ou menos assim:"



Eu nasci!
Há dez mil'anos atrás
E não tem nada nesse mundo
Que eu não saiba demais...(2x)



Eu vi Cristo ser crucificado
O amor nascer e ser assassinado
Eu vi as bruxas pegando fogo
Prá pagarem seus pecados
Eu vi!...



Eu vi Moisés
Cruzar o Mar Vermelho
Vi Maomé
Cair na terra de joelhos
Eu vi Pedro negar Cristo
Por três vezes
Diante do espelho
Eu vi!...



Eu nasci! (Eu nasci!)
Há dez mil'anos atrás
(Eu nasci há 10 mil anos!)
E não tem nada nesse mundo
Que eu não saiba demais...(2x)



Eu vi as velas
Se acenderem para o Papa
Vi Babilônia
Ser riscada no mapa
Vi Conde Drácula
Sugando sangue novo
E se escondendo atrás da capa
Eu vi!...



Eu vi a arca de Noé
Cruzar os mares
Vi Salomão cantar
Seus salmos pelos ares
Eu vi Zumbi fugir
Com os negros prá floresta
Pr'o Quilombo dos Palmares
Eu vi!...



Eu nasci! (Eu nasci!)
Há dez mil'anos atrás
(Eu nasci há 10 mil anos!)
E não tem nada nesse mundo
Que eu não saiba demais...(2x)



Eu vi o sangue
Que corria da montanha
Quando Hitler
Chamou toda Alemanha
Vi o soldado
Que sonhava com a amada
Numa cama de campanha
Eu li!
Ei li os símbolos
Sagrados de umbanda
Eu fui criança prá
Poder dançar ciranda
Quando todos
Praguejavam contra o frio
Eu fiz a cama na varanda...



Eu nasci! (Eu nasci!)
Há dez mil'anos atrás
(Eu nasci há 10 mil anos atrás!)
E não tem nada nesse mundo
Que eu não saiba demais...(2x)



Não! Não!
Eu tava junto
Com os macacos na caverna
Eu bebi vinho
Com as mulheres na taberna
E quando a pedra
Despencou da ribanceira
Eu também quebrei a perna
Eu também...



Eu fui testemunha
Do amor de Rapunzel
Eu vi a estrela de Davi
Brilhar no céu
E pr'aquele que provar
Que eu tô mentindo
Eu tiro o meu chapéu...



Eu nasci! (Eu nasci!)
Há dez mil'anos atrás
(Eu nasci há 10 mil anos atrás!)
E não tem nada nesse mundo
Que eu não saiba demais...(3x)



Até o Fim - Chico Buarque


Quando nasci veio um anjo safado
O chato do querubim
E decretou que eu estava predestinado
A ser errado assim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim



"inda" garoto deixei de ir à escola
Cassaram meu boletim
Não sou ladrão , eu não sou bom de bola
Nem posso ouvir clarim
Um bom futuro é o que jamais me esperou
Mas vou até o fim


Eu bem que tenho ensaiado um progresso
Virei cantor de festim
Mamãe contou que eu faço um bruto sucesso
Em Quixeramobim
Não sei como o maracatu começou
Mas vou até o fim


Por conta de umas questões paralelas
Quebraram meu bandolim
Não querem mais ouvir as minhas mazelas
E a minha voz chinfrim
Criei barriga, a minha mula empacou
Mas vou até o fim


Não tem cigarro acabou minha renda
Deu praga no meu capim
Minha mulher fugiu com o dono da venda
O que será de mim ?
Eu já nem lembro "pronde" mesmo que eu vou
Mas vou até o fim


Como já disse era um anjo safado
O chato dum querubim
Que decretou que eu estava predestinado
A ser todo ruim
Já de saída a minha estrada entortou
Mas vou até o fim



Jorge Da Capadócia - Jorge Ben Jor


Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia
Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés, não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos, não me peguem, não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam
E nem mesmo um pensamento eles possam ter para me fazerem mal


Armas de fogo, meu corpo não alcançará
Facas, lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar
Cordas, correntes se arrebentem, sem o meu corpo amarrar
Pois eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge


Jorge é de Capadócia, viva Jorge!
Jorge é de Capadócia, salve Jorge!


Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor
Perseverança, ganhou do sórdido fingimento
E disso tudo nasceu o amor


Ogam toca pra Ogum
Ogam toca pra Ogum
Ogam, Ogam toca pra Ogum


Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia
Jorge é da Capadócia


Ogam toca pra Ogum
Ogam toca pra Ogum


Jorge sentou praça na cavalaria
E eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia


Ogam toca pra Ogum
Ogam toca pra Ogum


Jorge da Capadócia (várias vezes)


sábado, 15 de março de 2008

TOCA RAUL!!!



Não sei bem a data, mas fui ver o show de lançamento deste disco, agora, que ironia, no Ginásio do Corinthians. Era 1984. Raul faria apenas um show. Com ele, não tinha esse negócio de temporada. Tampouco, os empresários topavam qualquer acordo do gênero. O risco de furo era permanente. Novamente, casa lotada. Tinha quase 10 mil pessoas, imagino. Dessa vez, o público estava confiante. O Raul estava bombando nas rádios e na TV. Até no Balão Mágico, programa infantil da Globo, para o qual escreveu Carimbador Maluco, ele aparecia. Vivia um momento de astro. Na abertura, nada menos que as duas maiores bandas de rock da época: Tutti Fruti e Made in Brazil. Raul entrou triunfante no palco. Uma banda super afinada com Tony Osanah e Miguel Cidras novamente o acompanhando. Mandou super bem os sucessos do momento e do passado. Uma glória. Este era o velho Raul. O público curtiu sem muita ansiedade. O clima era de paz e amor. Acabado o espetáculo, a multidão saiu pelas ruas do Tatuapé, como se estivesse numa procissão. Um puxava os primeiros versos de uma canção e os demais seguiam em coro. Muita gente sentou na porta da estação do Belém do Metrô e por ali ficou até as 5h esperando o portão abrir, cantarolando Raul sem parar, em rodas regadas a vinho Natal, comprado nos butecos especializados em atender os insones que vagueiam na madrugada. Eu subi num buzão na Av. Celso Garcia. Segui para o Centro e de lá, as 4h peguei o Negreiro, nome que se dava ao ônibus que cobria a rota para as periferias depois da meia noite. Percebi que muita gente fazia o mesmo itinerário."

Por Eleilson Leite no Le Monde Diplomatique - Brasil

Leia a íntegra do artigo aqui.