sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Brilho dos olhos mortos e outras histórias



Uma coletânea de 10 contos publicados na Revista E do SESC São Paulo, entre os anos de 1994 a 2001, por grandes escritores da "Geração 70": Ignácio de Loyola Brandão, Ivan Ângelo, Márcio Souza, Moacyr Scliar, Álvaro Cardoso Gomes, Silviano Santiago, Renata Pallottini, João Silvério Trevisan, Luiz Vilela e Sílvio Fiorani, sendo que esses dois últimos eu não conhecia por exclusiva ignorância minha. Foi publicada em 2004 pela Lazuli Editora em conjunto com o SESC São Paulo.

Como em toda coletânea, os textos apresentam temáticas diversas, estilos diferentes e tamanhos variados.Compará-los é uma atitude insana, mas sem dúvida nenhuma, para mim, o melhor conto é o do Márcio Souza,no qual uma jovem índia conta para a sua avó sua iniciação sexual, muito lírica e poética.

O conto do Ignácio Loyola Brandão é muito bom, mostrando o domínio do autor sobre o tema e a escrita. Ele imagina uma jogadora de sinuca cega que ganha (?) do narrador. Muito imaginativo. O conto do Álvaro Cardoso Gomes é sobre um labirinto que um rei criou para prender/matar seus adversários, sendo o próprio texto labiríntico. Muito criativo.

Ivan Ângelo marra a relação especial entre um vendedor e sua cliente, com final surpreendente. Renata Pallottini escreveu um delicioso texto sobre uma ave trazida para a cidade e que fica alegre em ouvir, tempos depois, o canto de outros da sua espécie. 

Moacyr Scliar apresenta homem que enriqueceu aplicando um golpe financeiro na população e que, para se redimir, procura ajudar um antigo amigo que passa necessidades. Final surpreendente e irônico.Luiz Vilela narra a conversa entre dois homens que se conhecem, mas um deles está desconfortável com a presença do outro, que o coage. Final aberto para o leitor imaginar a continuação da estória....

Silviano Santiago traz um conto de uma viúva rememorando a construção de uma casa de campo, desejo do marido a que se submeteu. O conto do Sílvio Fiorani começa bem, com uma coleção de cartões postais enviados por um amigo em viagem pela Itália, mas, para mim, o escritor se perde no meio do texto. O conto do João Silvério Trevisan começa enrolado, continua enrolado, parei de ler.

Recomendo  leitura do livrinho (105 páginas), uma boa amostra da produção de nossos grandes escritores.

José FRID

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