Quando fala João Cabral
da mão esquerda de Miró
é com destra que penteia
a crina das próprias sílabas
empinando seu poema
para o sertão dos garranchos:
as letras e algarismos
atraem-se por faísca –
pedra, lâmina e cal.
Amarelo fica o azul
da tanta luz que lhe infunde:
tal explica o canavial
assim perto ao cemitério.
A mulher e o seu pássaro
(de gaiola ela vestida)
é sim contra sim e não
pois que o diapasão é o mesmo.
A bailadora flamenca
(um alfinete e uma pena)
sapateia em Barcelona
(com saias de Andaluzia)
um xaxado nordestino;
o cacto é borboleta
diante do tom adotado,
rapaz com capa vermelha
(Manolete) é sertanejo.
Cada um visa a seu touro
no martelo galopado,
na madeira martelada:
nem um nem outro é canhoto.
da mão esquerda de Miró
é com destra que penteia
a crina das próprias sílabas
empinando seu poema
para o sertão dos garranchos:
as letras e algarismos
atraem-se por faísca –
pedra, lâmina e cal.
Amarelo fica o azul
da tanta luz que lhe infunde:
tal explica o canavial
assim perto ao cemitério.
A mulher e o seu pássaro
(de gaiola ela vestida)
é sim contra sim e não
pois que o diapasão é o mesmo.
A bailadora flamenca
(um alfinete e uma pena)
sapateia em Barcelona
(com saias de Andaluzia)
um xaxado nordestino;
o cacto é borboleta
diante do tom adotado,
rapaz com capa vermelha
(Manolete) é sertanejo.
Cada um visa a seu touro
no martelo galopado,
na madeira martelada:
nem um nem outro é canhoto.
Maria Lúcia Dal Farra in "Viveiro", do Livro de auras. São Paulo: Iluminuras, 1994,
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