Manhã, caminho pela praia
ao longe, na contraluz
vejo um homem com uma vareta
Ele toca delicadamente algo na areia
e levanta a cabeça procurando ao redor
Caminho, aproximo, achego-me
Um peixe repousa onde quebra o mar
ele toca com receio o belo bicho
querendo (temendo) despertá-lo
(majestoso, branco, barriga estriada, espinhos por todo corpo)
Perscruto homem e peixe
olhos mortos deste, ansiosos os dele
um vivo, outro morto - até quando?
Peixe e pés suavemente acariciados pelas espumas do mar
O homem, o peixe, o mar - Ele teme a morte!
Ele cutuca o cadáver com sua vara
e olha para mim implorando ajuda
Ignoro, passo por bicho e homem
todos com olhos de peixe morto
José FRID
Praia dos Carneiros, novembro/17
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