sábado, 2 de dezembro de 2017

Ser mau....

O colégio mudou muito quando a democracia voltou. Na época eu acabava de fazer treze anos e começava tardiamente a conhecer meus companheiros: filhos de gente assassinada, torturada e desaparecida. Filhos de homicidas também. Meninos ricos, pobres, bons, maus. Ricos bons, ricos maus, pobres bons, pobres maus. É absurdo descrever as coisas assim, mas me lembro de ter pensado mais ou menos dessa maneira. Lembro de ter pensado, sem orgulho e sem autocompaixão, que eu não era nem rico nem pobre, que não era bom nem mau. Mas era difícil ser isso: nem bom nem mau. Me parecia que isso, no fundo era ser mau.



Alejandro Zambra in Formas de voltar para casa, Cosac Naify, 2014, pág.64/65

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