No fundo é isso: qualquer linha escrita na mais irremediável solidão se justificará para sempre, desde que tenha alma e substância. Desde que seja capaz de levar a um leitor - um único que seja - a vertigem de uma emoção verdadeira. Que seja capaz de merecer o fato de ter violado de uma vez e para sempre a brancura da página. De ter superado o maior de todos os fantasmas do escritor: saber que está condenado à solidão mais eterna e profunda, e que a única maneira de buscar a salvação é mergulhar ainda mais fundo nessa solidão.
Saber, enfim, que só poderá sair dela numa trégua fugaz, acompanhado por palavras cujo destino é tão incerto e arriscado como o das mensagens que os náufragos lançam ao mar em garrafas azuis.
Eric Nepomuceno in Antologia pessoal,
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