Celina Tek era um animal extraordinariamente bonito. Seu corpo firme de menina emanava uma vitalidade suprema. Não era nem alta nem baixa, e seus movimentos, nem graciosos nem desajeitados. O corpo ia e vinha com uma movimentação sexual cuja saúde e vigor deixavam todo mundo em La Ferté parecendo fraco e velho. Sua voz profunda e sensual tinha uma profusão vulgar. Seu rosto, moreno e jovem, facilmente aniquilava os muros antigos e cinzentos. Seu maravilhoso cabelo era escandalosamente preto. Seus dentes perfeitos, quando sorria, faziam você se lembrar de um animal. O culto a Isis nunca adorou um sorriso mais profundamente luxurioso. Este rosto, emoldurado pelo negror de seu cabelo, parecia (à medida que se movia à janela que revelava a cour des femmes) inexorável e colossalmente jovem. O corpo era absoluta e destemidamente vivo. Na impecável e completa desolação de La Ferté e do outono da Normandia, Celina, se movendo ágil e feroz, era uma estimulante cinese.
E.E.Cummings in A cela enorme, Editora UFPR, tradução de Luci Collin, pág.117
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