quarta-feira, 22 de maio de 2013

A tarefa do criador

Você crê que é condição indispensável para a ficção contemporânea ter uma ligação com a docuficção? Como você articula a construção de seus livros? Seria possível dizer que o que você faz é olhar a realidade de outro ângulo?

 

A respeito da docuficção, não, não creio que seja imprescindível, mas, em meu caso, sim, é um componente muito importante. Deformar a "realidade" é uma das condições necessárias – ainda que insuficiente – para que se dê o fato estético. Não creio que exista uma realidade externa e uma ficção nos livros: a própria realidade é uma ficção, uma ficção verossímil, só isso. A respeito da segunda pergunta, creio que todo criador deve ver o mundo como se fosse um extraterrestre, com um olhar que ninguém teve antes. E nisso incluo também as ci~encias. Por exemplo, quando Newton viu cair a maçã e, a partir dessa queda, teve uma intuição que terminou na formulação da teoria da gravidade universal, o que fez foi olhar essa maçã como ninguém antes dele olhou, como se fosse um ET recém caído na terra. Essa é a tarefa do criador em qualquer disciplina.

 

Agustín Fernández Mallo in Sabático, Estadão, 13 de abril de 2013

terça-feira, 21 de maio de 2013

MAR

MAR

Sábado  retrasado visitei  o MAR, maravilhoso museu carioca! Localizado na Praça Mauá, quase dentro do mar, da baía da Guanabara. Prédio com arquitetura impactante, vistas panorâmicas belíssimas e, o que é mais importante para um museu, quatro exposições de altíssimo nível. E o público sabe o que é bom: museu lotado!

Exemplo raro de dinheiro públco bem empregado.

MAR - Museu de Arte do Rio de Janeiro

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Vida comprimida


A vida passa pelas caixas dos remédios,
comprimidos manhã, tarde, noite.
Uma bolinha branca ao raiar do dia, um amarelo ao pôr do sol,
a noite fecha em gala com uma cápsula colorida.
Não é o compasso do coração,
são os comprimidos que ditam o ritmo da vida.

Tomo os três: mais um dia que se foi.
a semana escoa em sete buracos da cartela branca,
os furos da cartela metálica marcam a quinzena,
trinta perfurações no cartucho prata e o mês é morto.

Como estou, o que vou fazer, para onde vou, 
questões que os comprimidos não respondem,
na sua mudez farmacológica.

Resumo: cada três furos marcados nas cartelas,
um dia mais próximo do buraco final. Bingo!

Pessimismo?
Não há pessimismo em,
metodicamente, religiosamente,
manhã, tarde, noite,
semana após semana,
acreditar que três comprimidos
afastarão o buraco final na
terra.
José FRID

domingo, 19 de maio de 2013

sábado, 18 de maio de 2013

Cimento fresco



Tem um dedo no cimento
Da calçada em reforma
De um rebelde do nosso tempo
Que tem medo de perder a memória

Uma cicatriz contra o esquecimento
Na matéria ainda fresca

O pavimento foi feito
Pras pessoa passa, pros mendigo canta
Mas esse furo de dedo
Me fez pensar:

É uma forma de protesto
Contra a construção civil
Deformar a calçada
Com o indicador direito?
(Ou isso é um polegar?)

Não faço parte dos concretos
(Tampouco assino contratos
Com movimentos, círculos sociais, multinacionais)
Mas encontrei nesse dedo de prosa
Uma tentativa de imprimir uma digital
No mundo
Antes desse monobloco cinzento secar.


Gustavo Lacerda in Mallarmargens, revista de poesia e arte contemporânea

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Toscana



Foto da Equipe da National Geographic

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Sede



Engulo a vida como um copo d'água
De gente simples que oferece
E não espera nada

De pé, na cozinha
Abro a garganta pra matéria cristalina
Como quem busca silêncio
Ao fechar a porta no fim do dia

Se isso é água, se isso é vida
Tenho somente cinco segundos
De goles desesperados e conversa amiga
Bebo apressado — como senhor disse:
A sede é grande
O tempo é pouco
E toda hora é hora de despedida.


Gustavo Lacerda in Mallarmargens, revista de poesia e arte contemporânea

quarta-feira, 15 de maio de 2013

terça-feira, 14 de maio de 2013

O final



Aí, ela teve que me deixar.
Contra a vontade e tudo o mais.
Amor possuía mas tudo tem um limite,
chega uma hora em que não dá mais, aliás,
elas sempre acabaram me deixando, um dia,
desde às primeiras lembranças.


Laura me largou no meio de uma sessão de cinema;
Rita perdeu-se na Serra, (fui atrás dela,
sofri, dormi ao relento, o diabo);
Dora deixou-me com as calças dependuradas na noite,
fazia frio, vaguei horas na escuridão;
Elizete partiu de repente, nem um bilhete, nada;
Eugênia espetou-me um postal na cortina do quarto;
Mary, uma foto antiga, muita saudade;
Luiza me abandonou de uma maneira radical, 
torto, irrecuperável quase.


Ela também me deixou, ora, por que não haveria?


Pedro Lage

segunda-feira, 13 de maio de 2013

domingo, 12 de maio de 2013

Mãe é tudo!!! Tudo de bom!



Cotia e seus filhotes no Campo de Santana, centro do Rio de Janeiro

(O Globo)

sábado, 11 de maio de 2013

Fruto proibido


Com suas nádegas lascivas de mulher
a maçã deita de costas
na cesta sobre a mesa.
Já de batom está pintada,
armadilha edênica no seu poço
- no ponto da voragem,
caverna de pevides.

Drácula, penetro
no seu espírito interdito,
no jardim das delícias.
Cometo (insensato)
a grande virtude capital.


Maria Lúcia Dal Farra in  "Coisas de mulher", do Livro de auras, São Paulo: Iluminuras, 1994por indicação de Cláudio Willer

sexta-feira, 10 de maio de 2013

quinta-feira, 9 de maio de 2013

O final


Aí, ela teve que me deixar.
Contra a vontade e tudo o mais.
Amor possuía mas tudo tem um limite,
chega uma hora em que não dá mais, aliás,
elas sempre acabaram me deixando, um dia,
desde às primeiras lembranças.

Laura me largou no meio de uma sessão de cinema;
Rita perdeu-se na Serra, (fui atrás dela,
sofri, dormi ao relento, o diabo);
Dora deixou-me com as calças dependuradas na noite,
fazia frio, vaguei horas na escuridão;
Elizete partiu de repente, nem um bilhete, nada;
Eugênia espetou-me um postal na cortina do quarto;
Mary, uma foto antiga, muita saudade;
Luiza me abandonou de uma maneira radical, 
torto, irrecuperável quase.

Ela também me deixou, ora, por que não haveria?


Pedro Lage

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Repaisagem de São Paulo - Largo de São Bento


Fotomontagem de Marcelo Zocchio com fotos antigas repetidas no mesmo ângulo e sobrepostas como trabalho artístico.

terça-feira, 7 de maio de 2013

O poeta operário



Grita-se ao poeta:
"Queria te ver numa fábrica!
O quê? Versos? pura bobagem!
Para trabalhar não tens coragem."
Talvez
ninguém como nós
ponha tanto coração
no trabalho.
Eu sou uma fábrica.
E se chaminés
me faltam
talvez
sem chaminés
seja preciso
ainda mais coragem.
Sei.
Frases vazias não agradam.
Quando serrais madeira
é para fazer lenha.
E nós que somos
senão entalhadores a esculpir
a tora da cabeça humana?
Certamente que a pesca
é coisa respeitável.
Atira-se a rêde e quem sabe?
Pega-se o esturjão!
Mas o trabalho do poeta
é muito mais difícil.
Pescamos gente viva e não peixes.
Penoso é trabalhar nos altos-fornos
onde se tempera o ferro em brasa.
Mas pode alguém
acusar-nos de ociosos?
Nós polimos as almas
com a lixa do verso.
Quem vale mais:
o poeta ou o técnico
que produz comodidades?
Ambos!
Os corações também são motores.
A alma é poderosa força motriz.
Somos iguais.
Camaradas dentro da massa operário.
Proletários do corpo e do espírito.
Somente unidos,
somente juntos remoçaremos o mundo,
fa-lo-emos marchar num ritmo célere.
Diante da vaga de palavras
levantemos um dique!
Mãos à obra!
O trabalho é vivo e novo!
Com os oradores vazios, fora!
Moinho com eles!
Com a água de seus discursos
que façam mover-se a mó!

 

Vladimir Maiakovski

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Downtown São Paulo - Repaisagem de São Paulo


Fotomontagem de Marcelo Zocchio com fotos antigas repetidas no mesmo ângulo e sobrepostas como trabalho artístico.

domingo, 5 de maio de 2013

Mulher feia?


Nua e louca em teus braços, qual é a mulher feia?

Dalton Trevisan

sábado, 4 de maio de 2013

Repaisagem de São Paulo - Largo do Piques



Fotomontagem de Marcelo Zocchio com fotos antigas repetidas no mesmo ângulo e sobrepostas como trabalho artístico.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

TV Tupi, Canal 6 - Fred e Carequinha


No Carnaval, entre uma banda e outra, fui relaxar caminhando e fotografando pela Urca, com a meta de alcançar o Bar Urca, no final do bairro, para recarregar as baterias. Ela é um bairro carioca tomado ao mar por aterro, espremido entre o mar e os morros da Urca e Pão de Açúcar  qual marisco agarrado nas pedras. Região calma, plana, boa para uma caminhada leve, observando-se a Baía da Guanabara, as montanhas, o Cristo, a Ponte Rio-Niterói, os barcos, São Pedro sobre as águas, o prédio do Roberto Carlos, suas casas acolhedoras, a maioria com arquitetura européia. No meio do bairro destaca-se sua prainha de águas mansas, cercada de pedras, e o antigo prédio do Cassino da Urca se derramando sobre suas areias claras.

O edifício é dividido pela rua que liga as duas partes do bairro. Uma imponente laje sobre o logradouro permite que as pessoas transitem ao abrigo do sol e das chuvas entre os dois corpos da edificação, Ele, inicialmente, destinava-se ao Hotel Balneário, depois serviu ao Cassino da Urca, célebre pelos seus shows, e por fim  virou os estúdios da TV Tupi, Canal 6. Está abandonado por litígio entre os moradores e uma escola europeia de design que o comprou..

Caminhava quando, repentinamente, uma imagem levou-me ao passado: a praia cheia de crianças mergulhando nas águas não muito limpas, casais enamorados entredevorando-se, pais bêbados, mães comilonas, sacos e bolsas com comidas e bebidas, esteiras sobre a areia, barracas de sol multicoloridas, grandes filas no ponto final dos ônibus, tudo como antigamente. E como estava no passado, lembrei-me do Circo do Carequinha, programa transmitido ao vivo pela TV Tupi, com a dupla de palhaços Fred e Carequinha.

Posei para a foto acima e fui sugado para um dia em que fui assistir ao programa ali mesmo, nos estúdios atrás daquela porta. Eu morava na Praia Vermelha, do outro lado do morro da Urca. Era muito novo, pequeno, tímido e sentei-me na arquibancada meio com medo. Com o andar do programa fui relaxando e curtindo. Tinha brincadeiras, músicas, danças, pipocas, refrigerantes, etc., se não me falha a memória. O palhaço Carequinha sempre repetia seu bordão "tá certo ou não tá?", elevando e abaixando seu largo colarinho, com a criançada gritando animada "tá!!!"  Além do Carequinha, o programa apresentava o palhaço Fred, o anão Meio-quilo e outros personagens. Os dois palhaços principais compunham a dupla "Fred e Carequinha", que durou muitos anos, fazendo shows por todo o Brasil.

Esse Fred atrapalhou a vida de muitos Fredericos na época, que não gostavam de serem chamados pelo nome abreviado, coisa de palhaço. (Assim como "zé é apelido de otário", já dizia meu pai) Alguns adotavam, alternativamente, Frid como apelido, o que me confundia, pois pensava que todos eram meus parentes. Hoje os Fredericos não ligam mais para isso, os palhaços estão soterrados na poeira do tempo, e o Fred atual é goleador, ídolo da torcida.

E foi exatamente esse Fred, o palhaço, não o jogador, que me causou um grande trauma. Voltando ao programa, em determinada hora eram distribuídos  brindes para a plateia. Eu, como todas as crianças, estava esperançoso de ganhar algum brinquedo, se possível da Estrela, da Atma ou da Trol. Os apresentadores, seguidos pelas enormes câmeras com várias lentes, iam até uma criança, puxavam um assunto qualquer e a presenteavam com algum merchandise. O Carequinha foi para um lado, o Fred para outro, Meio-quilo pelo meio, as crianças ansiosas. De repente, o Fred surgiu ao meu lado. Levei um susto com aquele homem grande, gordo, cara branca, chapéu cônico na cabeça quase careca, roupa florida de calças curtas, meião preto, voz sebosa (veja a foto – eu poderia ser o garoto no canto). Abri o maior berreiro! Aquilo não era um palhaço, mas um monstro das profundezas abissais, a ser enfrentado pelo National Kid! (Que era da TV Rio) Saí correndo, mãe atrás, quase consegui passar pela porta da fotografia e sair voando pelo bairro. Um vexame! Fui resgatado do passado pela buzina estridente de um ônibus, que quase bateu num carro que vinha em sentido contrário na estreita e curva via de mão dupla. Voltei ao presente, mas a imagem do Fred veio junto, parecia que iria surgir das ruínas do prédio. Corri para o Bar Urca, a cerveja tomada na amurada do mar foi diluindo, sumindo com aquela trágica lembrança. Olhei as ondas quebrando nas pedras e começou a vir à minha mente o dia que nadei por ali treinando para atravessar a Baía da Guanabara até a Praia do Flamengo .... garçom, socorro, não, correndo, mais uma Bohemia gelada!


José FRID





quinta-feira, 2 de maio de 2013

Rio Tietê possível - Repaisagem de São Paulo


Fotomontagem de Marcelo Zocchio com fotos antigas repetidas no mesmo ângulo e sobrepostas como trabalho artístico.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

Boi no pasto

 
Boi no pasto não tem patas.
Bóia as banhas ondulantes
sobre as bordas do capim
que (marítimo de ervas)
em superfície o conserva.
Está no seu elemento
e todo esterco trescala
ao verde que ele abate –
ilhas já dessa paisagem.
É o campo que se alevanta
no negro musgo do estrume
por seu turno resgatando
a larva à própria lavra.


Boi no pasto não tem peias
nem a terra lhe é fronteira.


Maria Lúcia Dal Farra in "Viveiro", do Livro de auras. São Paulo: Iluminuras, 1994, indicação de Cláudio Willer

terça-feira, 30 de abril de 2013

Rio Pinheiros possível - Repaisagem de São Paulo


Fotomontagem de Marcelo Zocchio com fotos antigas repetidas no mesmo ângulo e sobrepostas como trabalho artístico.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Praça Clóvis, homenagem a Paulo Vanzolini



Na praça Clóvis
Minha carteira foi batida
Tinha vinte e cinco cruzeiros
E o teu retrato
vinte e cinco
Eu, francamente, achei barato
Pra me livrarem
Do meu atraso de vida
Eu já devia ter rasgado
E não podia
Esse retrato cujo olhar
Me maltratava e perseguia
Um dia veio o lanceiro
Naquele aperto da praça
vinte e cinco
Francamente foi de graça


Paulo Vanzolini



domingo, 28 de abril de 2013

À noite


À noite as maquinas choram

Ou mesmo de dia
quando ninguém olha

Derramam suas sentimentalidades
por entre os vãos dos ferros
fios botões telas placas chips
Lágrimas vazam das maquinas

Quiçá um suspiro há de se ouvir
Finalmente agora podem
não precisam mais ser calculistas afinal
Aliviadas
à noite as máquinas choram
enquanto bichos
maquinam


Vitor Paiva

sábado, 27 de abril de 2013

Casario em Alcântara, Maranhão - III



Mais fotos de Alcântara, maranhão, acima e abaixo!

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Expropriação


1
Quando eu era pequeno
e andava de mãos dadas com minha mãe
o mundo inteiro era minha casa.
Hoje, nem minha casa
é minha casa.

2
Os anjos desapareceram
do espelho.
Da rua.
Da vila.
Eles não habitam mais
nem as igrejas.

3
Antes o mundo era dádiva
acolhimento
oferenda.
Hoje estou fora de todas as coisas.
Sempre fora.
Sempre em face das coisas
em face do mundo
em face dos homens.
Sozinho diante de Deus.


Rubens Jardim in "Fora da Estante", Coleção Poesia  Viva, Centro Cultural São Paulo – CCSP, 2012

quinta-feira, 25 de abril de 2013

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Florduardo, Julicandi e outros nomes!


Florduardo. Descobri, recentemente, numa crônica do Humberto Werneck no Estadão, que o pai do Guimarães Rosa chamava-se assim. Tive um insight na hora: o escritor inspirou-se no pai para criar neologismos fundindo duas palavras! Florduardo parece ser a fusão de Florinda ou Florisbela com Eduardo. Inspirado nesse mecanismo, Guimarães Rosa criou, entre outras milhares de palavras, "enxadachim", enxada com espadachim, o trabalhador do campo que luta para sobreviver no cabo da enxada; "ensimesmudo", união  de ensimesmado com mudo; "embriagatinhar", fusão de embriagado com gatinhar (quem já não viu alguém embriagatinhando depois de uma festa animada?); "velhouco", de velho e louco; "descreviver", resultado de descrever com viver; e a famosa "nonada", de "non", do português arcaico, com "nada", palavra que abre o livro Grande Sertão: Veredas. Um mestre!

O pai dele deve ter sofrido muito, pois seu nome completo é Florduardo Pinto Rosa. Na escola, um nome desses é encrenca na certa! Mesmo depois, já pai de família, doze filhos, comerciante, cidadão de respeito, Pinto Rosa dá o que falar: vou na bodega do Pinto Rosa. Perto de Florduardo, o nome de um amigo de infância agora me parece razoável: Rosilson, filho da Rosa e do Wilson. O coitado sofreu muito bullying, apelidado de Rosa, Rosinha, Flor, Florzinha... teve que dar muita pernada para se impor. O que será que os pais pretendem ao dar nomes "criativos" aos filhos? Assédio moral contra a indefesa criança? Vingança das dores do parto?

Abasteci o automóvel e na hora de pagar constatei que estava sendo atendido pela Julicandi, provavelmente a primeira e única do Brasil. Ela explicou que sua mãe, durante a gravidez, lera o nome num romance estrangeiro. Tentei achar o personagem literário, mas a busca foi infrutífera. Quem sabe moraria num daqueles livros vendidos em banca de jornal, bem românticos, melosos, felizes, alegres, adocicados, Jolly Candy? Por que não chamar logo a moça de Jujuba?

No livro das faces, a bíblia moderna das pessoas, não há nenhuma Julicandi, provando o pioneirismo da mãe dela. Ler é poder! Dois homens são chamados de Florduardo e  várias pessoas têm a palavra como sobrenome, todos brasileiros, de norte a sul. Guimarães Rosa fazendo escola? A coisa pega!

Voltando às crônicas, Arnaldo Jabor contou a história da empregada da sua avó, cujo noivo morreu atropelado. Nome dos pombinhos: Hermínia e Omerzildo. Já pensou naquele coração esculpido com canivete na casca da árvore? Hermi e Omer. Ou Minia e Zildo. Haja cupido! Já pensou como seriam nomeados os filhos do desditoso casal?

Para não falar só das famílias dos outros, descobri na Páscoa que a minha bisavó chamava-se Sergilina, distinta senhora da sociedade fluminense. Mãe da minha avó Izaltina. Para sorte da minha mãe, tias, irmã e primas, ninguém teve a idéia de homenagear as ancestrais. Por parte de pai, minha tia e suas filhas também tiveram sorte de ninguém homenagear a senhora Edeltrudes. A família não manteve a tradição, mas no Face e no Google existem muitas Sergilinas, Izaltinas e Edeltrudes, de todas as idades, no Brasil e no mundo. Esses nomes estão na moda? Corro o risco de meus filhos homenagearem aquelas doces senhoras em suas futuas filhas? Socorro!

José FRID

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terça-feira, 23 de abril de 2013

Casario em Alcântara, Maranhão



Mais fotos de Alcântara, Maranhão, acima e abaixo!