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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Conversando com Jorge Amado



Delicioso livro constituído por uma grande entrevista, realizada ao longo de vários dias, que Jorge Amado concedeu a Alice Raillard, escritora, editora e jornalista francesa, tradutora da maioria dos seus livros.


A entrevista aconteceu entre novembro e dezembro de 1985, na famosa casa de Jorge Amado no Rio Vermelho - Salvador - Bahia.


Vale a pena ler!!!


José FRID

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Não se amofine: é hora de enterrar uns e outros!



"Tenho horror a hospitais, os frios corredores, as salas de espera, ante-salas da morte, mais ainda a cemitérios onde as flores perdem o viço, não há flor bonita em campo-santo. Possuo, no entanto, um cemitério meu, pessoal, eu o construí e inaugurei há alguns anos quando a vida me amadureceu o sentimento. Nele enterro aqueles que matei, ou seja, aqueles que para mim deixaram de existir, morreram: os que um dia tiveram a minha estima e a perderam.

Quando um tipo vai além de todas as medidas e de fato me ofende, já com ele não me aborreço, não fico enojado ou furioso, não brigo, não corto relações, não lhe nego o cumprimento. Enterro-o na vala comum de meu cemitério – nele não existem jazigos de família, túmulos individuais, os mortos jazem em cova rasa, na promiscuidade da salafrarice, do mau-caráter. Para mim o fulano morreu, foi enterrado, faça o que faça já não pode me magoar.


Raros enterros – ainda bem! – de um pérfido, de um perjuro, de um desleal, de alguém que faltou à amizade, traiu o amor, foi por demais interesseiro, falso, hipócrita, arrogante – a impostura e a presunção me ofendem fácil. No pequeno e feio cemitério, sem flores, sem lágrimas, sem um pingo de saudade, apodrecem uns tantos sujeitos, umas poucas mulheres, uns e outras varri da memória, retirei da vida.


Encontro na rua um desses fantasmas, paro a conversar, escuto, correspondo às frases, às saudações, aos elogios, aceito o abraço, o beijo fraterno e Judas. Sigo adiante, o tipo pensa que mais uma vez me enganou, mal sabe ele que está morto e enterrado."


Jorge Amado, in "Navegação de Cabotagem", pág.15, 6ª edição, 2006


Faça como o Jorge Amado: Não se amofine, não brigue, não perca tempo com quem não merece. Seja educado, enterre a criatura num pequeno e feio cemitério, esqueça e viva feliz!!!


José FRID

sexta-feira, 27 de março de 2009

O mais notável escritor brasileiro


Diante da vitrine de uma livraria, na grande galeria no centro de Milão, Zélia, alvoroçada, aponta para um livro: olhe! Vejo um exemplar da edição de Terras do Sem Fim (Terre Del Finemondo), meu primeiro livro traduzido em italiano, a capa atraente reproduz cerâmica de Picasso.

- Veja o cartaz! – Zélia assanhadíssima.

O cartaz não é propriamente um cartaz, apenas um cartão retangular ao pé do volume, informando sobre o autor : Il piu noto scrittore brasiliano. Zélia lê em voz, alta, repete; il piu noto. Vamos em frente, repletos.

Logo adiante, outra livraria, paramos em frente à vitrine em busca de Terras. Em vez, deparamos com a tradução de um livro de Erico Veríssimo, Olhai os lírios do campo, se bem me recordo. Ao pé do exemplar um cartaz, ou seja um retângulo de cartão, a informação sobre o auto: Il piu noto scrittore brasiliano.

Rimos, Zélia e eu, desinflamos. No quiosque da esquina compro um cartão-postal e os selos competentes e o endereço para Erico em Porto Alegre, conto-lhe o ocorrido: 

"Durante cinco minutos e vinte metros fui 'il piu noto', passei-te a faixa."

Jorge Amado, in "Navegação de Cabotagem", págs. 17/18, 6ª edição, 2006