quarta-feira, 6 de setembro de 2017
CRESCIMENTO....
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
OS DOIS
Mas nem sabiam que eram dois
pois os dois eram sozinhos
e se sentiam assim
sozinhos
os dois
Às vezes ficavam abraçados
testemunhando enchentes
e dividiam segredos
e riam das bobagens um do outro
e telefonavam sempre
um para o outro
só numas de ouvirem
a voz
um do outro
Eles não eram felizes
E falavam alto nos bares
E contavam histórias estapafúrdias
os dois
Se encontravam
no meio de tanta gente
Eles sempre se encontravam
e sorriam tímidos um para o outro
porque eram sozinhos
os dois
e por um momento já não era tão assim
eles eram quase dois
mesmo sozinhos
assistindo filmes de madrugada
e pegando no sono
abraçando almofadas
sozinhos
bêbados
tomando comprimidos pra dormir
aviltados com a publicidade
que cercava a solidão dos dois
E eles queriam fugir
E ele queria entrar dentro dela
e ficar lá o resto de sua vida
não pra ser um
mas pra ser dois
definitivamente
de uma vez por todas
os dois.
sexta-feira, 16 de agosto de 2013
REENCONTRANDO UMA VELHA AMIGA
sábado, 10 de agosto de 2013
Aids
Os belos dias de sexo acabaram
sexo está quase extinto aqui
na terra
a não ser que consigam curar
isso que está nos matando.
Os mais jovens nunca saberão
o quão incessantemente íamos
de uma cama pra outra,
de um corpo pra outro,
de uma noite pra outra,
no fim, às vezes, se tornava
até tedioso.
Eu me pergunto qual será a
próxima coisa que vamos perder?
Tem sido um fim de século
dos diabos: primeiro a
bomba atômica,
agora isso.
É hora da invasão alienígena.
E eles malditos podem
ficar
com
tudo.
Charles Bukowski - Tradução: Jão, via Mario Bortolotto
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Uma canção (poema) do Mário
que eu beba do seu leite
que eu faça a festa na cama de pregos
que eu tome do seu chá de cogumelo
que eu violente o seu ursinho de pelúcia
que eu raspe dos seus pêlos
que eu caia de joelhos
no banheiro do bar
depois de uma cerva
uma erva
um lapso de tempo
É urgente
que eu declare o que sinto
que tire pra fora o meu pinto
e só abra a porta quando a polícia chegar
terça-feira, 17 de agosto de 2010
BLUES
Como levar alguém que vai morrer
pra ver o sol nascer
como se fosse a primeira vez
Como um garoto cruzando o Atlântico num barco a vela
Como uma jovem mãe que perde o filho
no parque de diversões
Tipo esses filmes ruins que me fazem chorar
como um idiota que perdeu a paz
Como o garoto solitário
que entra de penetra na festa de aniversário
Como o filho cobrindo os pés do pai
a beira da morte
Como o viciado contando os dias
que permanece limpo
Como alguém que desistiu de ver o por do sol
Como alguém fechando a tampa do piano
Como alguém que você espera
entrando pela porta
Como alguém que você sempre esperou
e que nunca vai entrar
Como aquela mulher que não vai voltar
Como aquelas desavenças que nunca deixamos pra lá
Como aquelas coisas que julgávamos indispensáveis
e que depois de muitos anos
encontramos no vão do sofá
Mário Bortolotto
domingo, 1 de agosto de 2010
UM LUGAR LEGAL PRA ESTAR (WHEN THE MUSIC STOPS)
Ela me disse casualmente
que havia notado a mancha de sangue na minha camisa
Disse a ela: Não se preocupe, não é nada
Ela respondeu: Eu não tô preocupada
Resmunguei: é melhor assim
Achei que podia me divertir um pouco
assistindo uma luta de boxe na tv
Tirei a camisa manchada de sangue e joguei no tanque
Ela vestiu uma micro-saia e saiu pra rua
Abri uma cerveja e resolvi esperar
Os ponteiros do relógio eram guilhotinas no meu pescoço
Quando ela voltou, não falei nada
Fiquei no escuro vendo ela se mexer
deixando cair sua saia
no caminho pro banheiro
Deixou a luz acesa e ouvi o barulho
não vou usar de eufemismos nesse momento
pra dizer o que ela estava fazendo
somos um casal com tempo de serviço
nossa indiferença mútua provava isso
meu enorme peso no sofá atestava isso
Ela acendeu um cigarro no escuro da sala
e a chama do isqueiro fez com que ela me notasse
"é mais difícil do que você imagina", ela disse
e o seu desprezo me acertou como um blefe de pôquer
Ainda ficou um tempo olhando pra mim
antes de vencer o orgulho e perguntar
"O que era a mancha na sua camisa?"
"Já disse. Não é nada. Não precisa se preocupar"
Ela soltou um foda-se e foi pro quarto,
deitou e ficou fumando olhando o teto
Levantei e fui até o banheiro
Cambaleei e tive que me apoiar na porta
Abri o armário e peguei o mercúrio cromo
ou você não sabia que a maioria das histórias de amor
terminam com alguém limpando as feridas?
Mário Bortolotto
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Bortolotto Blues
Meu bem, eu não te traio porque dá muito trabalho
chifrar é uma coisa complicada pra caralho
ficar atento a bilhetes e telefones é cansativo
precisa ficar ligado e eu não consigo
Meu bem, eu não te traio porque me cansa demais
transar com mulher nova tira a nossa paz
precisa descobrir o que é que excita a outra
depois tem que fazer um esforço filho da puta
Então vê se goza logo
pra gente voltar pro bar.
Velhas Virgens
terça-feira, 13 de outubro de 2009
O problema social causado pela extinção da nota de um real
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Intelectual assistindo filme pornô
Ontem comentava com alguns amigos:
"Eu tenho um amigo que é tão intelectual que assiste filme pornô até o final".
Kitagawa então mandou essa:
"É que ele não quer ter uma idéia errada do filme".
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Nelson Rodrigues, Paulo César Pereio e os magros
Nelson Rodrigues um dia disse:
"Pereio, todo magro é um canalha".
Pereio retrucou:
"Porra, Nelson, você está sendo arbitrário!"
e o Nelson mandou essa:
"97% das vezes que sou arbitrário, estou certo".
Genial. Em resumo, mime sua intuição.
Aí um mala colou na gente com um papo furado pra caralho e o Pereio soltou essa:
"A liberdade do outro termina quando ele começa a ser chato".
Depois ainda perguntam porque eu gosto de ficar na noite.
Mario Bortolotto
domingo, 20 de janeiro de 2008
Polaroid desbotada
meus óculos escuros
escudem lágrimas,
John Lee Hooker
canta no walkman dentro
da minha cabeça.*
minhas pernas
só me levam pro bar,
porque o meu lar
só existe nas lembranças.
sou o fugitivo na noite,
aquele de quem você
desvia e desdenha
na auto-estrada.
tô comendo o pão
que o demo dispensou,
bebendo a cachaça dos
despachos de encruzilhada
não vou mais te incomodar,
com telefonemas na madrugada,
vou colocar meus óculos
escuros, encher a mochila,
vou me perder na poeira
de alguma estradinha isolada.
vou apagar a fita da minha
cabeça, esquecer a canção
das nossas noites enluaradas
* referência ao "Bagana na Chuva" de Mário Bortolotto
Pierre "Maléfico"
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
MEUS PROBLEMAS COM A BEBIDA
me dizia isso enquanto andava atrás de mim no supermercado
eu escolhia um vinho pra beber no jantar
na verdade eu tava indeciso entre um vinho e um conhaque
na dúvida levei logo os dois
e uma caixa de cervejas pra depois do jantar
e ela continuava falando rispidamente comigo
eu me sentia dentro de uma música do Bruce Springsteen
ela falava algo sobre viver e morrer como um perdedor
eu disse: "Que merda cê tá falando?"
ela fazia ballet e andava daquele jeito empinado que me deixava ainda mais oprimido
havia muita raiva naquela mulher
e a raiva te deixa com dificuldade de se expressar
e eu só precisava de um drink
abri o conhaque na fila do caixa e dei um gole
"Era sobre isso que eu estava dizendo".
"O que?"
"O seu problema com bebida".
"Eu não diria que é um problema. A bebida me ajuda nos momentos difíceis".
"E esse é um deles?"
"Eu não estou muito a vontade".
entrei no carro e abri logo uma cerveja
"Vai continuar negando que tem problemas com a bebida?"
"Olha, eu não tenho problema nenhum com ela. Às vezes quando bebo, eu arrumo mais problemas, só isso".
domingo, 2 de setembro de 2007
TAKE IT HOME
".... Vejo as pessoas todas muito irritadas e as minhas vulgares análises todas me levam a crer que em algum lugar do caminho elas tiveram opções erradas, mas não querem se arrepender, porque talvez em algum ponto elas consigam se sentir satisfeitas a ponto de acreditar que tenham feito as opções certas. São os tais dos planos que não se concretizam. São as tais das vontades irrealizáveis, e todos parecem meio frustrados e infelizes, mesmo quando contam piadas e riem com sinceridade. Mesmo quando falam algo e querem se fazer notar. Mesmo quando insistem em chamar a atenção. Chamam a atenção para sua alegria, mas tudo que eu consigo ver é uma tristeza filha da puta, o tal buraco negro da alma, o tal buraco de 12 que eu disse que não dá pra encher nem com todo o whisky do mundo. Eu também já fiz planos como todo mundo e acreditei neles. A maioria não deu certo e eu fui ficando frustrado e infeliz pra caralho. Aí ontem saí de casa e fui andando pela rua. Tava meio frio, mas eu tava protegido com a jaqueta dos pára-quedistas franceses que eu comprei num brechó de lá. Fui andando pela rua e me sentindo inacreditavelmente tranqüilo. Não estou falando de felicidade ou de bem estar. Tranqüilidade não tem nada a ver com bem estar. Talvez seja só um ítem no cardápio. Passei a tarde ouvindo música e bebendo com amigos . O Picanha preparou um genial macarrão a gorgonzola e nós ficamos lá ouvindo B.B King. Aquela capa daquele disco. Meu Deus, a capa daquele disco. O garoto olhando a guitarra na vitrine. E aí na contra-capa ele indo embora com a guitarra nas costas, pisando em poças dágua. Aquela capa. Eu já tive esse disco. Eu era um garoto e também tinha planos. Eu tive esse disco. E um dia eu vendi o disco. Tava precisando de grana pra comer. Então vendi o disco. Mas nunca esqueci daquela capa. E a gente falando tanta coisa, na cozinha, na sala, e eu pensando na capa daquele disco. E aí fui encontrando as pessoas nos bares e pensando na capa do disco. Entrei nos Parlapatões e fiquei jogando bilhar. Por sorte, demoraram pra conseguir me tirar da mesa. Não queria sentar e nem conversar com ninguém. Tava pensando na capa daquele disco. E aí quando o Eldo e o Pedro ganharam de mim e eu tive que me sentar com uma garrafa d´água na mão, não queria olhar pra lugar nenhum, eu queria ficar pensando na capa do disco. Quando olhava eu via coisas, via as bolas caindo na caçapa, os amigos conversando em outras mesas, ouvia o burburinho do bar e eu ouvia os passos do garoto nas poças dágua. Pensava em desejos que talvez não se realizassem. Pensava em estratégias de fuga. E tudo parecia tão irreal. E eu queria que muitas coisas tivessem dado certo na minha vida. E eu queria que todos aqueles planos tivessem se realizado, como o garoto ambicionando a guitarra na vitrine. Como se a vida fosse isso. Como se fosse realmente possível colocar a guitarra nas costas e sair andando pisando em poças d´água. Mas há uma tempestade no caminho. Há um lugar que você simplesmente não pode chegar. Há tanta coisa atrapalhando. E tudo que você gostaria era simplesmente isso. Esperar a tempestade passar, embaixo de algum abrigo, um toldo de armazém, uma senhora voltando pra casa com os ingredientes de uma sopa de tomate, um velho sentado na soleira sem esperança nenhuma, sequer torcendo pra chuva passar. E eu não sei mais se a tempestade vai passar. Eu nem sei mais se há um lugar no mundo pra sujeitos estranhos que decidiram não mais retrucar a sorte. Mas eu ainda não sou o velho sentado na soleira. Então é melhor devolver a guitarra pro cara da loja e sair andando sem pressa, sem guitarra nenhuma nas costas, com essa chuva fria congelando minha alma negra. E esse buraco enorme que todo o whisky do mundo jamais vai preencher.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Felicidade não é só realizar sonhos
terça-feira, 31 de julho de 2007
RICO. Rico?
Outro dia me senti rico. Rico como, perguntariam vocês. Ganhou na loteria? Herança?
Posso esclarecer? Esclarecerei.
Esse tempo todo e eu não sabia que era rico, com três manteigueiras!!
Outro dia conto da minha outra riqueza, a garrafa de vidro. E conto também da latinha da casa do meu avô.
José FRID
Atualização em 2017:
Manteiga foi liberada, margarina totalmente condenada, quase plástico, nem mosca, barata, rato gostam.....
quarta-feira, 4 de julho de 2007
O amor é foda!
Mário Bortolotto