segunda-feira, 28 de abril de 2008
Sem Hilda Hilst em Sampa
Estou sem Hilda em Sampa
E fui queimado por centelhas de águas em dezenas de nuvens desertas
Despertando de uma noite cujo sol escorreu dos meus cabelos
Estou sem Hilda em Sampa
Mentalizando o metal mole acinzentado de raios lunares
Acordei dentro do caracol esticado no dia veloz
Estou sem Hilda em Sampa
E tenho preferências em cair das nuvens do que de edifícios
Graças a Deus Hilda eu os matei a todos eu os matei
Alguns embalsamei e os coloquei nas vitrines da rua oscar freire
Outros esmaguei pulverizando os canteiros centrais da av. 23 de maio
Estou sem Hilda em Sampa
E às 18:00h vislumbrei o vazio da estação sé do metrô
Atravessei a tarde fria da av. paulista sobre o dorso de um rápido rinoceronte
Percorri com sapatos de neón os dias claros de arbustos do ibirapuera
E tudo Hilda
era brincar de ver
tudo
de cima do túnel da rebouças
Estou sem Hilda em Sampa
Ah, a correria inerte dos transeuntes em transe nos faróis
Ah, a descoberta do bilhete de ônibus cujo ponto fora destruído
Ah, o reconhecimento da catástrofe anunciada no altar da catedral.
osvaldo rodrigues
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