Mais algumas palavras sobre o caso Isabella, agora sobre a presença de uma terceira pessoa no apartamento do casal, que seria a responsável pela morte da criança.
O casal insiste em dizer que é inocente, alegando que uma terceira pessoa entrou no apartamento, antes ou depois do pai da Isabella deixá-la na cama, esganou a menina e depois a jogou pela janela. Eles dizem que o controle da entrada de pessoas no prédio é falho, existiriam possibilidades de pessoas entrarem pelos fundos do prédio, pela garagem, etc.
A perícia mostrou que não há vestígios de uma terceira pessoa no apartamento, que a porta não foi arrombada, nada foi roubado, etc., não há vestígios de gente entrando pelos fundos e/ou pulando o muro, o porteiro assegura que ninguém desconhecido entrou pela frente, etc.
Para mim não existe essa terceira pessoa, é mera estória inventada para criar a dúvida e absolver o casal. É lícito inventar uma estória? Sim, a pessoa deve ter ampla liberdade de defesa, inclusive mentir. Cabe à sociedade provar, através do inquérito policial e dos laudos periciais, que a estória é inventada e comprovar, de forma inequívoca, a culpa do casal. Como já escrevi antes, a dúvida deve beneficiar o réu, para o bem de todos nós. E até o casal ser condenado, devem ficar em liberdade.
Por que acho que não existe essa terceira pessoa? Porque não consigo ver motivação para alguém entrar na casa de outra pessoa, matar sua filha e jogá-la pela janela, sem nada roubar, sem nenhum outro objetivo, no curto espaço de tempo entre o pai deixar a filha e voltar com a família, coisa de 10, 15 minutos.
Até admito que uma terceira pessoa pudesse matar a menina na ausência do pai. Mas jogar a criança pela janela deixa de ser minimamente razoável.
Vamos supor que a pessoa já estivesse no apartamento e foi surpreendida com a chegada do pai. Ela se escondeu até ele sair. Está claro que, se existisse a terceira pessoa, ela não queria ser vista pelo pai. Então, evidentemente, ela vai tentar fugir, pois sabe que o pai vai voltar a qualquer momento. Quando está fugindo, a criança acorda, vê o invasor e começa gritar. É razoável que ele mate a criança para poder fugir sem que chame a atenção. Até o meio utilizado, enforcamento com as mãos, coisa fácil e rápida, sem precisar procurar instrumentos, é razoável de se admitir. O esperado é que, após matar a criança, o assassino fuja o mais rápido possível para não encontrar com a família que já está para chegar. Foge sem deixar pistas. Poderia ser até um vizinho, fugir para seu próprio apartamento.
Motivação para essa pessoa estar no apartamento? Roubo, vingança, ameaça, "cobrança" de dívidas, "recado" de um traficante, etc. Como ela foi parar dentro do apartamento sem arrombar a porta? Cópia da chave, falsa chave, instrumentos especiais, etc. Se os pais tivessem encontrado a criança morta e alegassem a responsabilidade do fato a uma terceira pessoa, até daria para acreditar na estória.
O que não faz sentido é que essa pessoa, sabedora que a família vai chegar a qualquer momento, pare sua fuga e procure instrumentos para cortar a grade plástica – no caso tesoura e faca de cozinha, que estavam em cômodos distintos – corte a grade no tamanho certo para passar o corpo da menina, pegue-a e jogue-a pela janela. O que ela ganha em jogar a criança pela janela? Qual o interesse dela em tirar o corpo do apartamento?
A menina já estava morta ou desfalecida, isto é, não trazia mais risco à fuga do invasor. O risco era o retorno do pai. Por que perder tempo precioso procurando os instrumentos de corte, a faca e a tesoura? E com o próprio corte da grade? E com a demora em pegar o corpo da criança, levá-lo até a janela, fazê-lo passa pela grade e arremessá-lo no gramado? Não faz nenhum sentido!
Além disso, não foi encontrado nenhum vestígio dessa terceira pessoa. A perícia mostrou que o casal teve tempo de limpar o apartamento, lavar panos e roupas, etc., tudo que pudesse incriminá-lo. Será que também apagaram os vestígios da terceira pessoa? Acredito que, se existissem vestígios dela, eles não apagariam esses sinais incriminadores. Houve até uma tentativa do casal de atrair o porteiro para dentro do apartamento para envolvê-lo no assassinato.
A estória seria fruto da orientação dos advogados? Pode ser, comentarei mais tarde sobre o papel dos advogados.
Em resumo, é a estória do casal confrontada com os fatos. Vamos ao julgamento!
(partes um e dois estão aí para baixo)
José FRID
3 comentários:
É difícil de acreditar na existência de uma terceira pessoa, concordo como a sua hipótese de não existir motivo para que terceiro (a) cometa tamanha crueldade, no entanto, também não consigo vislumbrar que o próprio "pai" tenha arremeçado sua filha....na verdade, eu agradeço por não fazer parte do conselho de sentença.......
I.
Eu também não consigo compreender o pai atirando a criança pela janela .... Só se estivesse drogado. Também fico contente em não ter que julgar o caso.
Frid
Eu também não consigo compreender o pai atirando a criança pela janela .... Só se estivesse drogado. Também fico contente em não ter que julgar o caso.
Frid
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