sábado, 24 de abril de 2010

Canção - Allen Ginsberg




O peso do mundo

é o amor.

Sob o fardo

da solidão,

sob o fardo

da insatisfação

o peso

o peso que carregamos

é o amor.

Quem poderia negá-lo?

Em sonhos

nos toca

o corpo,

em pensamentos

constrói

um milagre,

na imaginação

aflige-se

até tornar-se

humano –

sai para fora do coração

ardendo de pureza –

pois o fardo da vida

é o amor,

mas nós carregamos o peso

cansados

e assim temos que descansar

nos braços do amor

finalmente

temos que descansar nos braços

do amor.

Nenhum descanso

sem amor,

nenhum sono

sem sonhos

de amor –

quer esteja eu louco ou frio,

obcecado por anjos

ou por máquinas,

o último desejo

é o amor

- não pode ser amargo

não pode ser negado

não pode ser contido

quando negado:

o peso é demasiado

- deve dar-se

sem nada de volta

assim como o pensamento

é dado

na solidão

em toda a excelência

do seu excesso.

Os corpos quentes

brilham juntos

na escuridão,

a mão se move

para o centro

da carne,

a pele treme

na felicidade

e a alma sobe

feliz até o olho –

sim, sim,

é isso que

eu queria,

eu sempre quis,

eu sempre quis

voltar

ao corpo

em que nasci.






Allen Ginsberg in "Uivo, Kaddish e outros poemas", L&PM, tradução de Claudio Willer

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