sexta-feira, 12 de novembro de 2010

AMO: COMUMENTE É ASSIM


A Lila Brik




Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar.

Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha.



(1922)




Vladimir Maiacovski in "Antologia Poética", tradução de E. Carrera Guerra, Editora Max Limonad Ltda., segunda edição, 1983




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