quinta-feira, 3 de março de 2011
Quando eu morrer
Pai, quando eu morrer,
ficarei rosa como uma menina
(você não deve ralhar ou querer que eu minta
porque tudo será exato, sem mesmo carecer de ensaio).
Quando eu morrer sou tranqüilo
como um príncipe que beijasse
a boca do nada (você vai achar bonito
esse quadro de tintas longínquas).
Pensarão que sou uma menina, um barco,
um pombo. Todo o meu doce virá à tona.
Veja pai, sou um mineral,
intacto e sem passado.
Eucanaã Ferraz in "Livro primeiro", Edição do autor, 1990.
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