E quando penso estar com as esperanças aposentadas, surpreendo meu corpo despudorado reabrindo suas fendas ao riso e ao prazer. Argumento com ele sobre a necessidade de se guardar e ele, sobre a urgência de se dar. Lembro-lhe a angústia de ficar esperando um toque de telefone ou de dedos. Sobre as discussões, as diferenças de opiniões. Aviso-lhe: convém esperar. O amor já foi um bom negócio. Falo, falo e me calo. Perco sempre e não tem jeito, quando esse meu corpo vira-lata está lutando pelos seus direitos.
Joyce Cavalccante in "O Discurso da Mulher Absurda", Editora Maltese, 1994
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