sábado, 13 de agosto de 2011

Os comunistas são ....



"Era nos anos dos Ford de bigodes, dos cavalheiros de bengala e polainas e das damas de chapéus emplumados. Apagados os fogos da guerra que se acreditava 'a última', a gente respirava à vontade, cheia de ilusões, sem se dar conta de que a paz havia nascido com a tara do câncer bolchevique, destinado a contagiar os vagos, os frouxos, os incapazes, os grosseiros, os marginais, os ressentidos, os fracassados, os invejosos, os violentos. A minoria negativa do gênero humano, seu peso morto, ia levantar-se com a pretensão monstruosa de dirigir o mundo." (Parágrafo de um artigo assinado por E.B., publicado em El Mercurio de Santiago do Chile, no domingo, 17 de dezembro de 1972)


Entre esses tarados, ignorantes, mafiosos, incapazes e fracassados foram e são comunistas homens como Máximo Gorki, super-homens como Gagárin e os primeiros cosmonautas, construtores de aviões como Tupolev, cientistas como Joliot-Curie, pintores como Palbo Picasso, Henri Matisse, Fernand Léger, tapeceiros de gênio como Lurçat, artistas comoventes como Paul Robeson, escritores como Anatole France, Henri Barbusse, Vladimir Maiakovski, Louis Aragon, Paul Eluard, Bertolt Brecht, Mariátegui, César Vallejo, políticos como Lênin, Jorge Dimitrov, Antonio Gramsci, Ho Chi Minh, Luis Emílio Recabarren. Humildemente, eu me incluo no número desses tarados do cronista mercurial. E, óbvio, o insigne cidadão, o ensaísta impecável, o Senador da inteligência, o escritor chileno Volodia Teitelboim.

(1972)


Pablo Neruda in "Prólogos", Bertrand Brasil, tradução de Thiago de Mello, 2002



O texto do Jornal El Mercurio é fruto do embate político que dominava o Chile nos fins de 1972, que desaguaria no golpe de setembro de 1973, quando Pinochet derrubaria Allende do poder. O articulista pegou "pesado" com os comunistas e Neruda não poderia deixar tais infâmias passar em branco. Deve-se notar que, entre os políticos, Neruda destaca Lênin mas não menciona Stálin, cujo governo ele incensava nos idos de 1943. Nada como um dia após o outro. Picasso, na época, já tinha sido expulso do Partido Comunista, face às críticas que fez à ditadura soviética.


José FRID

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