quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Poemas sem pele, sem mãos, sem objeto.







As palavras se gastam com o uso, o sentido foge das formas, a poesia - demasiada usada - se desfaz a si própria. O poeta de época se emaranha nas frases como o peixe na rede, agoniza fora d'água, o ar o aniquila. Assim saem poemas do papel, interminavelmente enrolados e enrarecidos, ao gosto da moda obscura, poemas sem pele, sem mãos, sem objeto. (1954)

Pablo Neruda in "Prólogos", Bertrand Brasil, tradução de Thiago de Mello, 2002

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