KTED BERRIGAN — Como você escreve haikai?
KEROUAC — Haikai? Você quer ouvir haikai? Veja, você tem que comprimir em três linhas uma história enorme. Primeiro você começa com uma situação haikai — então você vê uma folha, como eu tinha dito a ela (Stella) outra noite, caindo nas costas de um pardal durante uma forte tempestade de inverno em Outubro. Uma grande folha cai nas costas de um pequeno pardal. Como você pode comprimir isso em três linhas? Agora, em japonês você tem que comprimir em 17 sílabas. Não precisamos fazer isso em inglês, pois não temos o mesmo sistema silábico que o Japonês. Então você diz: "Pequeno pardal" — você não tem que dizer "pequeno" todo mundo sabe que um pardal é pequeno, então você diz:
Pardal
Com grande folha em suas costas —
tempestade
Não está bom, não funciona, esqueça.
Um pequeno pardal
Quando repentinamente uma folha toca suas costas
Do vento.
Hah, assim que se faz. Não, está um pouco longo. Viu? Já está um pouco longo, Berrigan, entende o que quero dizer?
TED BERRIGAN — Parece haver uma palavra extra. Que tal tirar o "quando"? Ficaria:
Um pardal
Uma folha de outono repentinamente toca suas costas —
Do vento!
Hey, isso está bom. Acho que "quando" era a palavra extra. Você pegou a ideia aqui, "Um pardal, uma folha de outono de repente"— não temos que dizer "de repente" não é?
Um pardal
Uma folha de outono toca suas costas —
Do vento!
[Kerouac escreve a versão final em um caderno de espiral]
(via Cláudio Willer)
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