- Você me ama?
- Hum?!
Foi assim. Boca, boca. Os lábios. Lábioslábios. Boca em frente da boca. Bocaboca. Lábioslábios. Duas bocas, os lábios. Silêncio. Ex-pec-ta-ti-va. O impulso. Olhos se fechando, olhos se fechando, lábioslábios se abrindo, língua descobrindo língua, uma violência terna, a mão apalpando as costas, subindo até os cabelos: o beijo crescendo, crescendo - lábioslábios -, cigarro caindo ao chão, silêncio - como se tudo começasse-terminasse no silêncio; uma rosa de fogo ou o beijo: ternura se definindo em sexo, lábioslábios, a mão descendo pelas costas, depois subindo, depois descendo; o silêncio agora é pudor (mas ainda existe!); a cabeça encostada em seu ombro, a mão dele nos cabelos longos. Lábios e lábios, novamente.
- Você quer ir embora?
- Hum?
- Você não quer viajar?
- Pra onde?
- Pra Galáxia Exterior...
- Você me leva junto?
- Levo.
- Então, vamos...
Flávio Moreira da Costa in "O desastronauta", Editora Expressão e Cultura, 1971, págs.116/117.
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