Domingo, cinco e quarenta, manhã, madrugada fria paulistana
Dois homens vinteeumanos no asfalto da Paulista
Um segue à Consolação, outro ao Paraíso
Não chegarão!
David sobre duas rodas vai
dia começando, escalar prédios, polir cristais, dançar ao sol, cidade a seus pés, vida
Alex em quatro volta
fim de noite, 3 vodcas, 1 energético, 0 mulher, que merda
David pedala sua Caloi 10 com a força da necessidade, o vigor de vinteeumanos
corpo e mente ligados, singrando o espigão, linha reta ao futuro esperança
Na potência do álcool Alex caça inimigos imaginários
seu bólido prata canibal devora pobres cones, fura vermelhos faróis
alguém tem que pagar por 3 vodcas, 1 energético, 0 mulher, noite de merda
Seis rodas se encontram, pedal, quatro pernas, motor, quatro braços, quantos cérebros?
Golias vence Davi, arranca braço como tributo de vitória
Coração parado, corpo estendido no chão, Davi vê anjos, sol, cristais, ouve cavaquinhos
Alex, "frio, cruel e insensível, diz juiz", segue seu destino, não ao paraíso
mas a uma longa e tenebrosa viagem ao inferno, esperam todos!
Davi cyborg derrotará Golias!
9 comentários:
Uau, Frid, forte, mas verdadeiro! Abç
Ligia
Poesia tocante! Parabéns!
Bjs
Dolores
Muito lindo!
Margarida
Gostei do realismo poético. Se assim posso adjetivar seu poema adequadamente. Crítico, atualíssimo, com tempero sarcástico, denuncia. Porém, nas últimas duas linhas a endemonização de Alex exacerba...é impreciso julgá-lo isoladamente. Prefiro entendê-lo contextualmente, como uma clara expressão da inconsequência individualista de uma juventude banhada, e se afogando, em uma Modernidade Líquida (Baumam) com valores e instituições se diluindo. Quando elegemos um algoz, dificultamos a compreensão de quem o produziu. Abraço!
Lula
Você está corretíssimo! Eu, pessoalmente, acho que tudo não passou de uma fatalidade, ou seja, algo que aconteceu sem ser planejado, esperado, desejado, etc., poderia até acontecer comigo - quem nunca pensou em fazer zigue-zague entre cones na rua?
O Alex, a princípio, não é uma mal pessoa, deve ser um jovem parecido com muitos outros, inclusive meu filho, independentemente de classes sociais. Pode ser um sintoma da "Modernidade líquida" a que você se refere.
Agora, ao poema:
A penúltima linha traz declaração do juiz que o manteve preso, não sou eu que estou afirmando o caráter do rapaz. Ela, a linha, procura mostrar o problema que vai desaguar na última linha.
A última linha fala de uma viagem ao inferno, é uma viagem pessoal, que entendo como o sofrimento dele com relação ao acidente. Entretanto, se ele for exatamente como o juiz pensa que ele é - frio, cruel e insensível - ele não fará a viagem, não sofrerá, tocará a vida como se nada tivesse ocorrido. O "esperam todos" está relacionado com o "frio, cruel e insensível", ou seja, esperam que ele não seja tão frio e insensível como o juiz disse, que sofra um bom período com o acidente que causou.
Algo assim.
Um abraço sensível
José FRID
Esclarecido estou...abraço!!!
Lula
Gostei dos seus comentários, forçou-me a uma releitura do poema. Você, como poeta, sabe que nas horas que escrevemos, textos de ficção é claro, "baixam" musas que levam nossa inspiração para caminhos nunca dantes navegados.
Ou como dizem os críticos, a obra é do autor até chegar ao receptor (leitor, ouvinte, espectador), que entende o que quiser da obra, que a recria conforme seus valores, conhecimentos, sensibilidade, interesses...
Mais abraços pré-outonais!!
Compartilho a esperança de que ele encontre o inferno
Angela
Eu adorei!!!!!!!!!!!!!!!!!
Parabéns!
Fátima F
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