sábado, 15 de junho de 2013

Diante de um corpo nu



Um corpo nu
está à minha frente e espera.


A tênue luz exterior,
recatada, não devassa,
fatia o nu em claro escuro.


não sei se falo
ou olho:
os olhos, as auréolas
o umbigo ou mais abaixo.


O corpo nu respira pausadamente,
é senhor do espaço e do tempo.
Assim, espera.


Não sei o que fazer,
então sorrio como dissesse:
OK, bonito, tudo bem,
vem
ou algo assim.


O corpo entende algo,
passa os cabelos por trás das orelhas,
sorri de volta, mas não vem.


Sorrio outra vez
enquanto o nu disseco:
saboneteiras, curvas dos seios
alças do amor, a trilha sob o umbigo
ossos do quadril furando a pele
as dobras da virilha...
Das partes componho o todo,
vem.


O corpo apóia o pé na cadeira.
Agora vejo só unidade:
uma orelha, um nariz, covinha,
braço, seio, nádega.
Duas coxas, porém.
Vem.


A noite cai e veste o nu,
do qual só resta o brilho dos olhos.


Sinto, ouço, cheiro
o corpo nu se amar,
basto-me também,
os odores dos sexos
preenchem espaço/tempo
e ficamos bem
assim.



4 comentários:

Anônimo disse...

Urrrrrrrrrrrra!

Galvão

Anônimo disse...

UMA MORDIDA NA MAÇÃ....


Lula F.

Anônimo disse...

Ui.....que sensual para uma Segundona....

Heline

Metamorfose Ambulante disse...

Para levantar a moral (!?!) e encarar a segundona!

Boa semana!