Um corpo nu
está à minha frente e espera.
A tênue luz exterior,
recatada, não devassa,
fatia o nu em claro escuro.
não sei se falo
ou olho:
os olhos, as auréolas
o umbigo ou mais abaixo.
O corpo nu respira pausadamente,
é senhor do espaço e do tempo.
Assim, espera.
Não sei o que fazer,
então sorrio como dissesse:
OK, bonito, tudo bem,
vem
ou algo assim.
O corpo entende algo,
passa os cabelos por trás das orelhas,
sorri de volta, mas não vem.
Sorrio outra vez
enquanto o nu disseco:
saboneteiras, curvas dos seios
alças do amor, a trilha sob o umbigo
ossos do quadril furando a pele
as dobras da virilha...
Das partes componho o todo,
vem.
O corpo apóia o pé na cadeira.
Agora vejo só unidade:
uma orelha, um nariz, covinha,
braço, seio, nádega.
Duas coxas, porém.
Vem.
A noite cai e veste o nu,
do qual só resta o brilho dos olhos.
Sinto, ouço, cheiro
o corpo nu se amar,
basto-me também,
os odores dos sexos
preenchem espaço/tempo
e ficamos bem
assim.
4 comentários:
Urrrrrrrrrrrra!
Galvão
UMA MORDIDA NA MAÇÃ....
Lula F.
Ui.....que sensual para uma Segundona....
Heline
Para levantar a moral (!?!) e encarar a segundona!
Boa semana!
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