segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Acidente na Lua de mel

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Conta-se dele, digo a Renzi, uma história dolorosa. Limpando uma escopeta, tinha matado a mulher com quem estava casado havia três meses. Disse-lhe que sem dúvida fora um acidente e não um crime, porque ninguém mata a mulher com quem se casou três meses antes dessa maneira, com um tiro de escopeta no rosto, a não ser que esteja louco. Além disso, digo-lhe, o homem ficou literalmente acabado depois do acidente. Não faz nada além de embriagar-se e dizer que o diabo é quem carrega as armas.


Ricardo Piglia in Respiração artificial, Companhia das Letras, 2010, pág.95

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