não direi adeus
se ainda tarda o sol.
também não falarei de flores
quando a primavera discursa aos olhos
permitindo que descansem as saudades do outono.
fecho os olhos e deixo-me levar por uma tênue certeza,
uma impressão sutil como o fio da teia
da caprichosa aranha-mãe,
de que o silencio conspirara a meu favor.
uma impressão sutil como o fio da teia
da caprichosa aranha-mãe,
de que o silencio conspirara a meu favor.
não direi adeus,
embora saiba do fim de todas as coisas,
fim que abraça mesmo os sonhos
sem tempo de vir a ser,
fazendo breve o que se julgava eterno.
embora saiba do fim de todas as coisas,
fim que abraça mesmo os sonhos
sem tempo de vir a ser,
fazendo breve o que se julgava eterno.
lentamente, tento desconstruir o pensamento
ainda embriagado de lucidez indesejada,
concebido em meio acido, sobrevivente,
como o pródigo filho que ainda não partiu.
ainda embriagado de lucidez indesejada,
concebido em meio acido, sobrevivente,
como o pródigo filho que ainda não partiu.
refaço-me do último suspiro
recolho a última palavra
ignoro as horas apressadas
e caminho para o mar.
recolho a última palavra
ignoro as horas apressadas
e caminho para o mar.
Aila Magalhães via Jornal de Poesia
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