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da cama mesmo, toco no chão o resto de maçã roída minutos atrás. fria. úmida.
um sustento de carrretel para o sumo... e foi tão doce! fuji.
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recolho os brincos azuis e redondos, para hoje não ter globos nas orelhas. é precaução de não saber onde andam pendurados os sonhos que não tenho tido.
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fez frio na volta, de um vento que naturalmente não toca muitos neste dia da semana em que um laço fica suspenso nos ares sujeito à disponibilidade dos desejos. por vezes parece frágil, de modo que não se nota cor. é como o azul dos brincos ou alguma outra.
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importam-me as crises. fazem que corte minhas unhas dos pés e todas as carnes que as circundem.
nisso, na cama mesmo, o sangue toca o lençol. quente. úmido.
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é madrugada e a chaleira apita mais alto. o tom agudo diz pela cozinha que é na chama da cor que já sabemos que arde todo tipo de toque previsto.
diz que ali eu fervo, para buscar cura, minhas próprias doenças.
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