terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Respiração Artificial - Ricardo Piglia




Português é uma língua difícil! Comprando livros pela internet, encontro oferta especial da minha livraria predileta. Clico na foto do livro: "Considerado um dos melhores romances da história da literatura argentina, recebeu o prêmio Boris Vian em 1981". O autor, Ricardo Piglia, eu já conhecia, tendo lido alguns contos e ensaios. Leio mais detalhes: "A ação começa em 1976, ano em que os militares tomam o poder na Argentina, dando início à ditadura  de sete anos que resultará em milhares de mortos e desaparecidos....uma carta de Marcelo Maggi, tio lendário que se afastou da família há anos sem deixar traços, envolve o jovem escritor Emilio Renzi numa investigação com elementos de trama policial...." Como a literatura argentina tem grandes nomes (Borges, Julio Cortázar, Roberto Arlt, Bioy Casares, Ernesto Sabato, etc) e famosa no mundo inteiro, um livro considerado um "dos melhores romances da história da literatura argentina", deveria ser muito bom. Como envolvia, também, história, literatura e política, a oferta era irresistível. Comprei. 

Comecei a lê-lo e percebi o engano. Não do livro, que é bom, prende a atenção, tem partes ótimas, a trama é envolvente, faz algumas suposições interessantes sobre o encontro e a influência recíproca entre Hitler e Kafka, mas não pode ser considerado um dos melhores da literatura argentina. Será que o resenhista do livro queria enganar o futuro leitor? 

Não, o engano foi meu: Ele escreveu: "um dos melhores romances da história da literatura argentina". O que li: "um dos melhores romances da literatura argentina". Ou: um dos melhores romances da história da Argentina". Captaram? O que estava escrito realmente: "um dos melhores romances sobre a história da literatura argentina". O tema principal do livro é a literatura argentina, sua evolução ao longo da história. Ora, para um brasileiro, esse tema é hermético e, pode-se dizer, desinteressante. Os personagens principais do livro são escritores e/ou estudiosos da literatura argentina, discorrendo páginas e páginas sobre a literatura argentina, seu desenvolvimento, comparações com escritores europeus, norte-americanos, formas de escrever, etc. A história não anda, não evolui. Para mim, escrevinhador, a discussão é até interessante. Destaquei alguns trechos que estão no blog, só clicar em "Ricardo Píglia" na barra da direita. Mas para um leitor comum...


Outra resenha do livro: Respiração Artificial (Respiración artificial no original) – Publicado em 1980 por Ricardo Piglia, em plena ditadura militar, é um dos romances de maior êxito de seu tempo. Emilio Renzi, um jovem escritor, reencontra Marcelo Maggi, seu tio e homem envolto num escândalo familiar que, depois de sua passagem pela prisão, vive em províncias diferentes, dedicado a investigar a vida de Enrique Ossorio, um colaborador remoto/espião da era Rosas. Através dele, Renzi encontra com Don Luciano, um ex-senador que há anos está numa cadeira de rodas e é dono de um tesouro familiar: um baú cheio de papéis velhos que pertenceu a Osorio. Romance complexo, ensaístico e erudito, Respiração Artificial abre a década de oitenta para a narrativa dos hermanos e coloca Piglia no centro do sistema literário argentino.


Em resumo: bom livro, mas para poucos.


José FRID

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