quieta, observo o tempo através do sol.
primeiro, uma sombra enorme parece engolir a luz.
depois, a luz é que engole a sombra
fazendo nascer um dia azul
sobre telhados recém-paridos, encarnados de luz,
pontilham aqui e ali os verdes,, amarelos e lilases
das flores teimosas num tempo de quase inverno.
(não sabem as flores que ha tempo de adormecer?)
o silencio cede ao breve rumor do vento entre palmas,
(carícia)
e saúda esta manh?que também a mim pertence.
Passeio nas horas que indiferentes, passam por mim,
e sem cerimonia, envelhecem-me.
Enquanto isso, o mar vermelho dos telhados
guarda milhares de segredos:
quem será feliz? quem chorará?
onde estarão os que conspiram?
por onde andarão todos os amantes?
(serei eu ou apenas os olhos de um gato?)
dói em mim este futuro incerto, a pouca certeza que me coube.
dói em mim saber e não saber
esse ter tido e o não ter sido
dói-me, neste dia azul, viver o que me cabe
como talvez doa também aos gatos, nas noites claras de luar,
a lembrança do alto da montanha...
Aila Magalhães via Jornal de Poesia
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