- (...) Bem, adeus. Apreciei muito nosso diálogo, isso eu garanto a você.
- Nosso diálogo, deveras! Apenas você falou o tempo todo, e sobre você mesmo. Isso não é um diálogo.
- Alguém precisa escutar, e eu gosto de falar o tempo todo sobre mim mesmo. Isso economiza tempo e previne debates.
- Mas eu gosto de debates.
- Não creio.. Debates são extremamente grosseiros, pois todos os que pertencem à sociedade têm as mesmas opiniões. Adeus, mais uma vez.
- Você é uma pessoa muito irritante, e muito mal educada. Odeio pessoas que falam sobre si mesmas, como você, quando outras querem falar sobre si mesmas, como eu. É a isso que chamo de egoísmo, e egoísmo é o que há de mais detestável, especialmente para quem com o meu temperamento, pois sou conhecido por minha índole solidária. Na verdade, você deveria me tomar como exemplo, pois não poderia encontrar modelo melhor. Agora que tem a chance, deveria tirar o melhor proveito disso, pois estou prestes a voltar para o palácio do governo.
(...)
- Bem, o prejuízo é dele, não meu. Não vou parar de falar com ele simplesmente porque ele não presta atenção. Gosto de me ouvir falando. Esse é um dos meus grandes prazeres. Costumo ter longas conversas comigo mesmo e sou tão esperto que às vezes não entendo o que estou dizendo.
- Então você certamente deveria dar aulas de filosofia.
- Que estupidez da parte dele não estar aqui. Estou certo de que não é com frequência que teria a chance de aprimorar a mente. Não me importo nem um pouco. Gênios como eu com certeza serão apreciados um dia.
Oscar Wilde in O Foguete Extraordinário, Contos Completos, Landmark, 2013, págs.40/41, tradução de Luciana Salgado, com minha adaptação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário