Que idade eu tenho?
Você diria: é fácil! Tá na cara, tá no RG. Será?
Alguns dias acordo mais velho que meu centenário avô,
doendo tudo, cansado, exausto, vivido.
Em outros, acordo como anjo, cinco ou seis anos, lépido, fagueiro,
bom dia sol, bom dia dia.
Noutros, vejo minha mulher adormecida a meu lado,
beijo e acaricio com não mais de vinte e poucos anos
ah, o amor!
Começo a corrida matinal a dezoito anos,
mantenho os trinta, persisto nos quarenta e cinco,
mas chego ao final tal e qual meu centenário avô.
Um cliente consulta-me:
tenho a idade da minha experiência, dos meus grisalhos fios.
Com estagiários, aprendo, ensino,
tenho a idade deles, eles a minha.
Hora do almoço, escrevo meus escritos, como este,
Sou um jovem bardo, um vivido narrador,
um personagem à minha semelhança,
uma criança encantada com o novo mundo,
jovem cheio de planos e devaneios
como é que a gente voa quando começa a pensar...
Reunião com o diretor,
novos projetos, novos desafios,
tenho o vigor de recém-formado,
todo o tempo do mundo pela frente.
Na rotina, burocracia,
sinto-me tão velho que morro.
Renasço a cada livro, filme, show e peça
– que idade tem Hamlet?
Na roda do chope com amigos, a idade de todos
flutua conforme os temas, as risadas,
as tulipas esvaziadas.
Durmo, sonho: danço, flutuo, corro,
amo, rio, choro, perco-me...
Que idade eu tenho?
Não é fácil..... só na morte.
José FRID
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