sábado, 5 de setembro de 2015

A arte, o anjo


A arte não dever ser considerada uma seleção que se faz do mundo, mas a total transformação dele em magnificência. A admiração com que a arte se atira às coisas (a todas, sem exceção) deve ser tão impetuosa, forte, radiante, que o objeto não tenha tempo de se lembrar de sua própria feiura ou abjeção. No horror não pode haver nada tão desconcertante e contraditório que a múltipla ação da atividade artística não deixe para trás com um grande e positivo excedente, na forma de uma coisa que afirme a existência, deseje o ser: como um anjo.

Rainer Maria Rilke in Cartas do poeta sobre a vida, seleção de Ulrich Baer, Martins, 2007, pág. 209/210

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