Quando se envia um texto ao mundo como uma mensagem numa garrafa - e isso ocorre não apenas com a poesia ou a narrativa, mas também com livros como 'Crítica da razão pura', de Kant - ou seja, quando um texto é produzido não para um único destinatário, mas para uma comunidade de leitores, o autor sabe que será interpretado não de acordo com suas intenções, mas segundo uma complexa estratégia de interações que também envolve os leitores, além da competência que eles possuem sobre a língua como um tesouro social. Por "tesouro social" quero dizer não somente determinado idioma que compreende um conjunto de regras gramaticais, mas ainda a enciclopédia gerada pelos desempenhos dessa língua: as convenções culturais produzidas por esse idioma e a história das interpretações anteriores de seus muitos textos, incluindo o que o leitor está lendo.
Umberto Eco in Confissões de um jovem romancista, Zahar, págs. 40/41
Nenhum comentário:
Postar um comentário