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Curioso como a técnica nos transportou a um mundo sem lugares fixos. Falamos de lugar nenhum, podemos setar em toda a parte e, como nada pode ser verificado, tudo o que imaginamos, em princípio, é verdadeiro. Se ninguém pode comprovar onde estou, sim, se nem eu mesmo tenho total e absoluta certeza, onde estaria a instância que decide? Lugares reais e fixos no espaço existiam antes de termos aparelhos portáteis de rádio e escrevermos cartas que chegam ao destino no mesmo segundo em que são enviadas.
Daniel Kehlmann in Fama, Cia das letras, pág.134
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