quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Faísca da escrita....

Como você mantém a faísca viva?

Algumas ideias se mantêm vivas. Certas ideias requerem coisas diferentes para se manterem vivas, algumas são de crescimento mais lento. Grande parte da vida deste livro em particular parecia subterrânea. Ele meio que vem à tona de vez em quando, piscando em meus cadernos ao longo dos anos, entrelaçando-se em outros projetos, fazendo sua própria interrupção. Às vezes penso nele como um rio subterrâneo, outras vezes como algo mais parecido com uma planta, um vasto organismo subterrâneo com raízes complicadas, que lança antenas à superfície de vez em quando quando precisa de algo mais para sustentá-lo - luz, ar, atenção.

Pode acabar sendo - ou parecendo ser - uma coisa muito esbelta e simples no final (a parte acima do solo, quero dizer). Quem sabe. Escrever, para mim, é apenas em parte sobre o trabalho finalizado e publicado. É também sobre como o trabalho molda seu pensamento, sua orientação para o mundo, as questões que o ajuda a formar ao longo do caminho. As ideias que ele abre para você, as pessoas e os lugares.

Sei que essas coisas não são comodificáveis, mas não foi para isso que apareci. Se eu puder colocar uma ideia do tamanho de um romance no espaço de um conto ou novela - sem que pareça artificialmente comprimido ou restrito - eu o farei. Mesmo que essas formas sejam consideradas de alguma forma menos valiosas, menos comercialmente viáveis. De certa forma, isso só me faz querer resistir, ficar do lado dos oprimidos. Mas realmente a divisão é meio desconcertante. Eu amo especialmente livros que escapam à categorização.

Josephine Rowe

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