segunda-feira, 23 de julho de 2007

Só para comparar: um governo sério, o francês, e um governo vergonhoso, o nosso, que tem medo de ser vaiado!

Top, top, top para Lula, o governo, a TAM e todos nós (Ricardo Noblat)

Na manhã de ontem, perto de Grenoble, no sudoeste da França, um ônibus que transportava 50 peregrinos poloneses com destino ao santuário de Notre-Dame de la Salette, nos Alpes, mergulhou no leito de um rio ao trafegar em alta velocidade por uma estrada proibida à passagem de veículos pesados. Morreram pelo menos 26 pessoas, todas anciãs.

Duas horas depois, estavam no local do acidente, a 700 quilômetros de Paris, o primeiro-ministro francês François Fillon e o ministro que cuida das estradas Jean-Louis Borloo. Em seguida, chegou a ministra do Interior Michele Alliot Marie. O presidente da Polônia Lech Kaczynski avisou ao presidente da França Nicolas Sarkozy que viajaria de imediato para visitar os 24 sobreviventes.

Kacczynski desembarcou em Grenoble às 12h45, horário de Brasília. Foi recebido no aeroporto por Sarkozy. Juntos, os dois consolaram os feridos internados no Hospital Geral de Grenoble. De lá, Kacczinski telefonou para familiares de alguns dos mortos. Sarkozy declarou que acompanhará pessoalmente o inquérito para apurar as causas mais do acidente.

Aqui, às 18h45 da terça-feira da semana passada, um Airbus-320 da TAM espatifou-se ao aterrissar na pista principal, escorregadia e ainda inacabada do aeroporto de Congonhas. Morreram cerca de 200 pessoas. São Paulo fica a uma hora e vinte minutos de vôo de Brasília. O Comandante da Aeronáutica embarcou para lá na mesma noite, mas não saiu da Base Aérea.

O ministro da Defesa não saiu de Brasília. O presidente da República reuniu-se com ministros no Palácio do Planalto, decretou luto oficial e divulgou uma nota de pesar. Não telefonou para o governador de São Paulo. Nem para o prefeito. Muito menos para parentes das vítimas. Sumiu de circulação durante três dias. Recuperava-se de um incômodo terçol no olho direito.

Acossado pela imprensa, ocupou cadeia nacional de televisão para lamentar a tragédia e admitir que o sistema aéreo do país "passa por dificuldades". Alegou que o maior problema é o excessivo número de vôos em Congonhas. Prometeu construir um novo aeroporto. E advertiu que "não se pode condenar ou absolver quem quer que seja com base em opiniões apressadas" . Freud explica...

É preciso dizer mais o que sobre o comportamento de Lula? Que ele faz o tipo do malandro esperto que costuma se esconder ao ser confrontado com algum fato capaz de causar danos à sua imagem? Não foi assim no caso do mensalão? Que costuma ser antes de tudo solidário com os amigos metidos em encrencas? E que depois entrega a cabeça deles para salvar a sua?

"Em determinados cargos, a gente não diz aquilo que pensa nunca; a gente faz quando pode e, se não pode, a gente deixa como está para ver como é que fica", ensinou Lula no último dia 17.

O segundo governo Lula ainda não começou - salvo para os que acreditam no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como seu marco inicial. O PAC está para o novo governo Lula assim como o Fome Zero esteve para o velho - ambos são pura pirotecnia. Na prática, o Fome Zero morreu de inanição. Não se ouve mais falar dele. O PAC ainda renderá por algum tempo.

Nunca jamais na história deste país os ventos da economia sopraram tão fortes a favor de um governo que disponha de uma razoável dose de talento e de sorte. Na verdade, quem conspira contra o sucesso do governo Lula é Lula em primeiro lugar. Em segundo lugar, é ele também. E em terceiro, parte da turma que ele recrutou para desfrutar das vantagens do poder.

Nenhum comentário: