quarta-feira, 4 de junho de 2008

Algumas palavras sobre o caso Isabella - I/III


O caso Isabella´


Algumas pessoas amigas me perguntaram por que ainda não escrevi sobre o assassinato da Isabella. Será que eu não estaria acompanhando o caso? Não o considerava importante? Não teria ficado emocionado com a morte dela? Ou estaria do lado dos Nardonis?


Primeiramente, não tinha o que escrever sobre o assunto. Tudo já estava – e está – sendo amplamente abordado pela imprensa escrita, falada e televisionada. Quando achei uma questão mais interessante, abordei o assunto no texto "Se fosse seu filho?" (clique aqui para ler, com comentários de leitores e ), no qual eu indaguei o que o leitor faria se o filho dele tivesse matado a sua neta.


Acompanhar o caso da Isabella é praticamente compulsório, pois ele está em todos os jornais, revistas, rádios, tevês, portais e sites da Internet, etc.; não tem como a pessoa não acompanhar cada desdobramento do caso: os detalhes são esfregados na nossa cara, quer a gente queira ou não. Até uma transmissão televisiva de um jogo de futebol foi interrompida na hora do gol para mostrar a prisão do casal acusado do crime, com a folia da polícia e dos populares na porta do prédio onde o casal estava abrigado.


Como a maioria dos brasileiros, também fiquei emocionado e indignado com o assassinato da menina, a descrição do crime, os detalhes revelados pelos laudos periciais. Diria que foi uma coisa "diabólica" engendrar a queda da menina. Cortar a grade, escolher jogá-la na grama. Coisas de monstros? (se você não viu, veja aqui o cartaz "Procura-se monstro") Com certeza!


Como a maioria do povo, também acho que os pais são culpados. A história de uma terceira pessoa parece-me apenas uma balela, uma tese para criar a dúvida, Entretanto, não quero linchá-los como muitos, torço pela condenação judicial do casal às penas máximas! Torço? Sim, porque temo que eles possam vir a ser absolvidos por falta de provas ......


Mas seria o caso importante para a sociedade? Para mim não é, apesar da comoção pública. Foi um ato isolado, tresloucado, impensado, de um casal fora de si. O caso não representa uma tendência na sociedade, não põe em risco a segurança pública, não traz perigo para outras pessoas. E acho até que o casal não repetiria mais fazer uma coisa assim. O casal deve ser condenado? Sim, à pena máxima prevista em lei, se comprovada a sua culpa. Que vai ser difícil ser comprovada em função dos erros da polícia, como veremos abaixo.


Com a conclusão do inquérito e a abertura do processo penal contra o casal, é hora de se analisar algumas questões envolvidas que foram deixadas de lado na euforia midiática, tais como a atuação da polícia, a prisão preventiva, a atuação dos advogados, a terceira pessoa no apartamento, a motivação do casal, a cobertura da imprensa, etc.


A primeira questão é a atuação da polícia logo após o crime. Como pôde a polícia deixar aberto por vários dias o imóvel onde ocorreu o crime? O apartamento só foi lacrado depois do enterro da menina, dias depois!! Qualquer CSI de poltrona como eu sabe que é imprescindível isolar-se as áreas do crime para se obter provas que possam desvendar a autoria, a forma de execução, os instrumentos utilizados, etc. Alguém levou dinheiro para "esquecer" o imóvel aberto? Ou foi mesmo incompetência?


Os criminalistas sempre dizem que se "ganha" o processo nas primeiras horas, evitando-se o flagrante, sumindo com a arma do crime, na delegacia induzindo o registro da ocorrência com a versão que interessa ao cliente, o sumiço de provas, indícios, o atraso da perícia, etc.


O pai de menina é advogado, o avô também. É sintomático que o pai, antes de ligar para o resgate de emergência, tenha ligado para o avô da criança, que certamente deve ter iniciado o procedimento para livrar o filho da cadeia. E aqui surge a pergunta que já fiz no blog: você mandaria prender o seu filho que matou sua neta?


E a ajuda do pai ao filho passa pelo sumiço de provas, desfazimento da cena do crime, fabricação de álibis, etc., tudo facilitado pelo "esquecimento" do apartamento aberto. E não perderam tempo. No período que o apartamento ficou liberado, a perícia comprovou a limpeza do apartamento, lavagem de roupas e panos, desfazimento da cena do crime, sumiço de roupas, etc.


Percebe-se nitidamente a diferença da atuação policial nos primeiros momentos daquela motivada (ou controlada) pela imprensa e pelo clamor público. Depois da lacração do imóvel, a perícia teve que se desdobrar para conseguir reunir provas contra o casal. Mas já não seria tarde demais? O Sanguinetti e a outra "perita" Delma estão nadando de braçada na tentativa de mostrar as falhas da perícia e a falta de provas. Culpa de quem? De quem deixou o apartamento liberado. De quem não recolheu, no primeiro momento, as provas necessárias.


Não seria o caso de se abrir um inquérito para se apurar essa falha policial? Isso é muito importante para a sociedade! Nós precisamos de uma polícia honesta, competente, capaz, confiável, segura.


É imprescindível se apurar quem não seguiu os procedimentos padrões para a apuração de crimes, beneficiando os possíveis autores em detrimento da sociedade. Repito: isso é mais importante do que condenar o casal. Enquanto o casal não vai sair por aí atirando gente pela janela, policiais desonestos e/ou incompetentes irão continuar prejudicando a apuração de crimes e beneficiando os culpados, alguns perigosos criminosos, pondo em risco a estrutura da sociedade.

Continua .......


José FRID

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