Entrevista de Cláudio Willer a Jardel Dias Cavalcanti no Digestivo Cultural
Uma pergunta retórica: a vida já não é tão complicada para se viver? Meter-lhe a poesia no meio não é dificultar as coisas? Ou a vida é tão insossa que a poesia é necessária para lhe dar algum sentido maior?
A vida é complicada. Também é fascinante. Pode ser poética e antipoética. Fazem parte da vida o amor, a paixão, o erótico, o belo, o original. Além disso, o horrível também pode ser poetizado ― Baudelaire tratou, em seus poemas, de momentos sublimes, de encontros com o maravilhoso urbano e mulheres fascinantes, e também, até mesmo, de uma carniça jogada na rua. Enfim, vida tem de tudo; e tudo pode ser poesia. O poeta pode capturar os momentos mágicos do dia a dia, as brechas no real. Em palestras e cursos, tenho me detido no maravilhoso urbano dos surrealistas, em obras como Nadja e O amor louco, de André Breton. Para falar de um poeta mais contemporâneo, Roberto Piva: observe como, ao longo da obra dele, a relação com a vida imediata, urbana, é ambivalente: quer sair da cidade, retrata-a como inferno, idealiza a natureza, mas ao mesmo tempo tem revelações, momentos mágicos, epifânicos, registrados em seus poemas.
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