A vida me foi dada de presente
numa indecisa noite de dezembro.
O vício de viver veio depois
como o cigarro, o ópio e a mulher.
Eu estava inexistente, ignorado,
perdido no fundo de qualquer coisa
sem fundo, quando assim sem mais nem menos
fui expulso, fui nascido e aqui estou.
Que farei? A pele, papel de embrulho,
mal esconde que minha vida é vício.
A vida me foi dada de presente
e todo o meu problema existe nisto:
na loja em que a venderam erraram o número.
Preciso ir lá, um dia, e devolver.
Mafra Carbonieri in Cantoria de Conrado Honório, 1998
3 comentários:
agradeço e desejo-lhe uma ótima semana.
ervin
As suas poesias alegram nossa segunda-feira. Ô soninho!!!!!!
Adorei!
Kisses,
Fátima
FORTE...VIVIDA...E DEPRÊ...POESIA VICERAL DE QUALIDADE !!!
Lula
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