quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Álvaro de Campos Revisitado



A vida me foi dada de presente
numa indecisa noite de dezembro.
O vício de viver veio depois
como o cigarro, o ópio e a mulher.


Eu estava inexistente, ignorado,
perdido no fundo de qualquer coisa
sem fundo, quando assim sem mais nem menos
fui expulso, fui nascido e aqui estou.


Que farei? A pele, papel de embrulho,
mal esconde que minha vida é vício.
A vida me foi dada de presente


e todo o meu problema existe nisto:
na loja em que a venderam erraram o número.
Preciso ir lá, um dia, e devolver.


Mafra Carbonieri in Cantoria de Conrado Honório, 1998

3 comentários:

Anônimo disse...

agradeço e desejo-lhe uma ótima semana.


ervin

Anônimo disse...

As suas poesias alegram nossa segunda-feira. Ô soninho!!!!!!
Adorei!
Kisses,
Fátima

Anônimo disse...

FORTE...VIVIDA...E DEPRÊ...POESIA VICERAL DE QUALIDADE !!!

Lula