segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um homem sonha

Diálogo poético com "Um homem dorme" de Felix Contreras (transcrito abaixo)


Um homem sonha


A Felix Contreras

O mendigo que dorme na rua
Desperta à voz do poeta.
Ainda de olhos cerrados pergunta-se:
Quando deixou de ser homem?


Olhos temerosos vêem Felix e Antonio passarem
O que fizeram?


Sente uma quentura nos pés descalços
O que será dessa vez?


Álcool, gasolina, diesel, ácido, éter, tiro,
seu sangue?


Pasma-se, porém: nem labaredas, fumaças, ou buracos
apenas o abraço do sol


(Em Brasília
o índio deixou de ser homem
antes ou depois
de ser queimado?)


Donde vem esse poeta que não vê quem dorme
na rua?


Quem sonha,
respira, deseja,
come, bebe, urina
na rua?


Quem vive à sua maneira
mendiga um pouco
poetiza até
mas homem
no fim


José FRID


Para Antonio Martins


Em Rio
São Paulo
em Recife
um homem dorme na rua,
a gente passa
mas, ele dorme,
em sua cama dura
mas, ele dorme
no solo frio
mas, dorme.
graças ao duro ofício que aprendeu
quando deixou de ser homem
e ficou mendigo
para dormir na rua.

Felix Contreras

Leia crônicas sobre o povo que dorme na rua:


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3 comentários:

Anônimo disse...

Gostei !!! Poesia comprometida com as injustiças sociais, arte e emoção a "serviço" do ser humano. Abraços !!!!
L.

Anônimo disse...

MEU AMIGO FRID !

TODOS NÓS TEMOS NOSSOS SONHOS !

ABRAÇOS, G.

Metamorfose Ambulante disse...

Uns sonham de olhos fechados, outros de olhos abertos!

Frid