quarta-feira, 24 de abril de 2013

Florduardo, Julicandi e outros nomes!


Florduardo. Descobri, recentemente, numa crônica do Humberto Werneck no Estadão, que o pai do Guimarães Rosa chamava-se assim. Tive um insight na hora: o escritor inspirou-se no pai para criar neologismos fundindo duas palavras! Florduardo parece ser a fusão de Florinda ou Florisbela com Eduardo. Inspirado nesse mecanismo, Guimarães Rosa criou, entre outras milhares de palavras, "enxadachim", enxada com espadachim, o trabalhador do campo que luta para sobreviver no cabo da enxada; "ensimesmudo", união  de ensimesmado com mudo; "embriagatinhar", fusão de embriagado com gatinhar (quem já não viu alguém embriagatinhando depois de uma festa animada?); "velhouco", de velho e louco; "descreviver", resultado de descrever com viver; e a famosa "nonada", de "non", do português arcaico, com "nada", palavra que abre o livro Grande Sertão: Veredas. Um mestre!

O pai dele deve ter sofrido muito, pois seu nome completo é Florduardo Pinto Rosa. Na escola, um nome desses é encrenca na certa! Mesmo depois, já pai de família, doze filhos, comerciante, cidadão de respeito, Pinto Rosa dá o que falar: vou na bodega do Pinto Rosa. Perto de Florduardo, o nome de um amigo de infância agora me parece razoável: Rosilson, filho da Rosa e do Wilson. O coitado sofreu muito bullying, apelidado de Rosa, Rosinha, Flor, Florzinha... teve que dar muita pernada para se impor. O que será que os pais pretendem ao dar nomes "criativos" aos filhos? Assédio moral contra a indefesa criança? Vingança das dores do parto?

Abasteci o automóvel e na hora de pagar constatei que estava sendo atendido pela Julicandi, provavelmente a primeira e única do Brasil. Ela explicou que sua mãe, durante a gravidez, lera o nome num romance estrangeiro. Tentei achar o personagem literário, mas a busca foi infrutífera. Quem sabe moraria num daqueles livros vendidos em banca de jornal, bem românticos, melosos, felizes, alegres, adocicados, Jolly Candy? Por que não chamar logo a moça de Jujuba?

No livro das faces, a bíblia moderna das pessoas, não há nenhuma Julicandi, provando o pioneirismo da mãe dela. Ler é poder! Dois homens são chamados de Florduardo e  várias pessoas têm a palavra como sobrenome, todos brasileiros, de norte a sul. Guimarães Rosa fazendo escola? A coisa pega!

Voltando às crônicas, Arnaldo Jabor contou a história da empregada da sua avó, cujo noivo morreu atropelado. Nome dos pombinhos: Hermínia e Omerzildo. Já pensou naquele coração esculpido com canivete na casca da árvore? Hermi e Omer. Ou Minia e Zildo. Haja cupido! Já pensou como seriam nomeados os filhos do desditoso casal?

Para não falar só das famílias dos outros, descobri na Páscoa que a minha bisavó chamava-se Sergilina, distinta senhora da sociedade fluminense. Mãe da minha avó Izaltina. Para sorte da minha mãe, tias, irmã e primas, ninguém teve a idéia de homenagear as ancestrais. Por parte de pai, minha tia e suas filhas também tiveram sorte de ninguém homenagear a senhora Edeltrudes. A família não manteve a tradição, mas no Face e no Google existem muitas Sergilinas, Izaltinas e Edeltrudes, de todas as idades, no Brasil e no mundo. Esses nomes estão na moda? Corro o risco de meus filhos homenagearem aquelas doces senhoras em suas futuas filhas? Socorro!

José FRID

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8 comentários:

Anônimo disse...

Bom dia meu amigo
Não tivessemos escolhido os nomes de Eduardo e Pedro para os meninos que devem chegar em julho, essas seriam boas sugestões!
Quem sabe uma outra vez...
Abs.
Renato

Metamorfose Ambulante disse...

Ainda está em tempo de trocar o Eduardo pelo Florduardo! Explique para sua mulher que é uma homenagem à literatura nacional!

Eu queria colocar "Pedro Paulo" no meu filho, a Laura queria só "Pedro", democraticamente virou "Guilherme".

Grande abraço!

Anônimo disse...

hi hi....
O Rosilson, esse eu conheci... foi meu namorado! ....



Heline

Metamorfose Ambulante disse...

Você também .... quem não namorou do 107 e cercanias???

Anônimo disse...

Muito bom Dom Fridolino!

Esta foto no email é de uma praiada em Copacabana? Lembro que estava junto a sua irmã. É vero?

Quando vem a Floripa?

Abç,

André

Metamorfose Ambulante disse...

Fico contente que você tenha gostado!

Mas a que foto no email você se refere??? Não vi foto nenhuma!

Se você anexou, não veio!

Fiquei curioso!

Grande abraço!

Anônimo disse...

Frid, eu tenho um cliente que se chama Florduardo! kkkkkkkkkk

ótima crônica.

Bjs.



Maisa

Metamorfose Ambulante disse...

No Face existem várias pessoas do sul com sobrenome Florduardo: cinco de Joinville, uma de Blumenau e outra de Porto Alegre. Os Floduardos mesmo estão em Fortaleza e Minas Gerais.

Grande abraço!